25/10/2006

Santiago, crítica

SANTIAGO (2003 - Claudia Hely e Roman Pelek)

Eu gosto de leilões. Tenho que admitir que gosto dum jogo que meta leilões. Apimentam a coisa...
Existem jogos que usam o leilão como uma mecânica adicional para o melhorar, como é o caso de POWER GRID, PRINCES OF FLORENCE ou AMUN-RE. Outros existem que fazem do leilão o seu leit-motiv como o MODERN ART, o MEDICI ou o FOR SALE. E depois há SANTIAGO...
AMBIENTE - Em SANTIAGO (SANTY para os amigos) cada jogador é um latifundiário que procura adquirir para si as melhores plantações, aglomerá-las de forma a aumentar a sua capacidade produtiva e irrigá-las para que não sequem.Um minimalista tabuleiro castanho, serve de base para toda esta operação. A qualidade dos componentes é razoável destacando-se a utilização de cores poucos habituais como o beje e o lilás para compôr a estética dos meeples. Três palmeiras de plástico e tiles de um bom cartão juntam-se à festa. Só o dinheiro é que destoa. São Escudos e parecem saídos de uma edição barata do MONOPÓLIO. Tudo bem acondicionado numa grande e bonita caixa da Amigo Spiele. Mas no plano geral, o jogo escapa com nota positiva na apresentação.
ESTRUTURA - À vez cada jogador faz uma oferta pelo display de tiles disponíveis. Esse display compõe-se por um número de tiles igual ao número de jogadores em jogo. No início de cada turno, vira-se um determinado número de tiles que podem representar até 5 tipos de plantações (Batata, Feijão, Cana-de-Açucar, Piri-Piri e Banana) e toda a gente oferece um valor. O jogador que bidar mais alto, escolhe primeiro e assim sucessivamente até todos terem um tile na mão. Cada jogador pode optar por passar em vez de bidar e o primeiro a fazê-lo vai ser o último a escolher, mas em contrapartida será nesse turno o Chanel Overseer (aguadeiro, para os amigos). Adquiridas as plantações, e por ordem da bid anterior todos colocam as plantações no tabuleiro mais os respectivos trabalhadores (que podem ser 1 ou 2, dependendo do ícone gráfico inscrito no próprio tile). Colocadas as plantações, toda a gente faz uma proposta em dinheiro ao aguadeiro, para que ele faça a àgua passar pelas zonas que mais lhes convém. Basicamente, trata-se de uma fase de suborno (como em CAYLUS) onde se negoceia e alicia de forma a sermos beneficiados no trajecto da àgua. E isto é importante, porque cada plantação que no final do seu turno não tenha conseguido ser irrigada, perderá um trabalhador por turno. E quando já não houver trabalhadores e se persistir a seca a plantação secará, transformando-se num deserto que desvalorizará todas as outras plantações adjacentes.
Neste jogo o dinheiro é escasso e obriga os jogadores a terem que passar num ou noutro bid, por forma a poderem vir a beneficiar da fase de suborno.
No fim do jogo valorizam-se as plantações em dinheiro, soma-se ao que ficou em carteiro e o gajo com mais graveto é o vencedor.
O jogo é bastante fluído e interactivo. Quer os leilões quer os subornos apimentam o jogo e depois ainda há a colocação das plantações que exige perspicácia e inteligência. O sistema de pontuação final pode deixar em alguns jogadores um amargo de boca, ou porque sabe a pouco ou porque nem sempre é fácil de perceber quem vai ser o latifundiário-mor.
CONSIDERAÇÕES FINAIS - SANTIAGO é muito bom. Não tenho dúvidas. É um jogo relativamente rápido (60 a 75 minutos), para 3, 4 ou 5 jogadores, com regras simples e lineares e, ainda assim, suficientemente profundo e estratégico para gamers da pesada. Podendo, por outro lado, também ser jogado com casual gamers ou mesmo non-gamers. O que contribui ainda mais para a importância deste jogo em qualquer colecção.
Eu tinha uma grande fezada neste jogo e ele não me desilidiu. Viva SANTIAGO!!
NOTA: 8
Luis Costa

4 comentário(s):

soledade disse...

É um bom jogo. Tem duas componentes distintas e que não devem ser confundidas. Uma é o leilão e outra a negociação.
Acho que estão muito bem articuladas e fazem o jogo evoluir mais ou menos rápido, ao contrário de traders of genoa que é mais lento porque é só negociação.
O jogo é muito "apertado", as condições de vitória são razoáveis, embora o controlo de pontuações seja difícil de fazer.
Não é um filler. É um jogo para gamers. Para além disso é jogado em escudos. Não são os nossos mas, ainda assim, dá para matar saudades...

PS

Unknown disse...

E quem é o Kaizer Cabo Verdiano?
Huuummm?
die mamadou dos santos?
huuuummm?
Ah pois é...
Muito bom jogo...

Costa disse...

Amigo, estás perdoado... nós até já sabemos que nem curtes muito jogos com leilão.

Mas ainda que não partilhe, de todo, a tua opinião, defenderei até à morte o direito que tens de a exprimir...

;)

soledade disse...

#brainstorm

Se calhar não me expliquei muito bem... eu também acho o traders of genoa, incomparavelmente, mais jogo que este. Até porque este é um jogo muito mais simples e, apesar da água, algo seco. Não os meto na mesma categoria mental de classificação. Porque eu tenho umas quantas categorias mentais para classificar os jogos. :P

Mas ninguém consegue essa auto regulação a jogar o traders e ele, assim, estende-se indefinidamente. Naquele rácio tempo/diversão, que eu tanto gosto, perde muito. É só isso que eu quero dizer. Agora, da próxima vez, qd jogarmos traders, vamos pôr uma clepsidra (acho que nunca tinha escrito clepsidra. Clpepsidra. Embrulha a língua a escrever...) para controlar o tempo. O tempo e o Nuno. :P

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