KRETA (2005 - Stefan Dorra) Stefan Dorra começa a ser um daqueles nomes que me deixam pele de galinha. Não sendo um novato, é um daqueles designers que têm vindo a evoluir cada vez mais. Títulos como FOR SALE e MEDINA são algumas das suas melhores obras, este KRETA é muito bom e agora ando de olho noutro jogo de dele, MARRACASH.
AMBIENTE - Creta, século XIV. Os jogadores procuram posicionar as suas hostes o melhor possível pelas várias províncias da ilha. O objectivo é o controlo por meio de influência de figuras, o que corresponde a ganhar pontos de vitória.
Para 2 a 4 jogadores, KRETA é na sua essência um area control game, bem construído, muito fluído e inteligente. Modestamente produzido pela Goldsieber, KRETA não é um jogo particularmente bonito. Os seus componentes têm uma qualidade razoável, ainda que modestos, mas é na simplicidade das regras e na bem articulada e inteligente mecânica, que o jogo assenta os seus trunfos. É, na verdade, uma pequena pérola perdida no ranking do BGG e que merece uma atenção muito especial.
MECÂNICA - O mapa da ilha de Creta está dividido em províncias. Cada província produz um determinado produto e separam as províncias uma estrada principal onde se alojam 30 pontos para construção de fortes. Esses pontos estão numerados de 1 a 30 e servem de scoring markers. Adicionalmente, existe um deck composto de 30 cartas, cada uma representando cada um dos fortes. Cada forte, por sua vez, faz fronteira com duas ou mais províncias. Este deck é baralhado e tiram-se 11 cartas que são colocadas viradas para baixo, em fila, ao lado do tabuleiro. As duas cartas mais à esquerda nesta linha de fortes, são viradas e representam os fortes que serão pontuados a seguir, no decorrer do jogo. Ou seja, os jogadores começam por ter logo no início do jogo uma percepção de onde deverão começar a colocar as suas figuras (Pároco, Aldeões, Vilas, Fortes e Barcos). Há medida que se vão sucedendo as rondas de pontuação vão-se virando mais cartas até se pontuar a 11ª.
Cada jogador recebe um deck de 7 cartas (na sua côr) e que é igual à dos outros jogadores. Compõe esse deck as seguintes figuras:
Almirante - Permite adicionar ou mover barcos; Comandante - Permite adicionar ou mover aldeões; Pároco - Permite adicionar ou mover o pároco; Agricultor - Permite fazer a colheita de um produto; Arquitecto - Permite construir uma vila ou um forte; Rei - Permite a utilização de uma carta já jogada; Castelão - Inicia uma fase de scoring.
Começando pelo jogador inicial, e à vez, cada jogador joga uma das suas 7 cartas para a mesa e executa a respectiva acção. Passando a vez para o jogador imediatamente à sua esquerda. Quando um jogador joga a carta do Castelão, essa ronda termina aí e procede-se à contagem de pontos de influência de todas as regiões que fazem fronteira com o número do forte indicado na carta mais à esquerda na linha de fortes. Adicionalmente, o jogador que joga o Castelão, pode mudar a 2ª carta visível e substituí-la por uma não usada do baralho.
Quando se pontuam as províncias, basicamente o que se faz é contar os pontos de influência de cada jogador. Assim sendo, Barcos, Aldeões, Fortes e o Pároco valem 1 ponto cada; a Vila vale dois pontos. Quem tiver mais pontos de influência ganha o número de VP's correspondente à região em causa (valor esse que está inscrito no tabuleiro). Chegando ao 11º forte, e após a respectiva pontuação, ganha o jogador com mais VP's.
Existe ainda a possibilidade de colher produtos (Harvest). Cada produto só pode ser colhido uma única vez durante todo o jogo. O jogador que fizer essa colheita fica com o tile de produto para si. Esse tile vale VP's. O 1º vale 1VP, o 2º vale 2VP, o 3º vale 3VP e assim sucessivamente e que são automaticamente registados na Victory Track.
Tudo se processa de forma muito simples e intuitiva após uma ou duas rondas. Os mecanismos são simples e facilmente assimiláveis, fazendo de KRETA um jogo rápido e inteligente, propenso a interacção e pequenas guerrilhas. O mecanismo das cartas e da pontuação permite a um jogador, por exemplo, a apressar uma situação de pontuação para evitar assim que os seus adversários de posicionem melhor numa determinada província.
CONSIDERAÇÕES FINAIS - KRETA é um belo jogo. Com um ritmo impressionante, o jogo jorra intensidade por todos os poros. É um daqueles títulos que saem da poeira dos anónimos e ilumina as nossas mesas de jogo. Se ainda não jogaram KRETA e gostam de um jogo rápido, inteligente, cheio de estratégia, este jogo de Stefan Dorra é obrigatório em qualquer colecção.
NOTA: 8 Regras em Inglês postado originalmente em http://oblogdocosta.blogspot.com
Luis Costa


9 comentário(s):
Eu que nem dava nada pelo jogo fiquei agradavelmente surpreendido...
Depois de entrar no esquema é um "light area-control" muito bom...
Eu gosto imenso de area-controls, mas uma vez que o vosso grupo já experimentou o china e estou numa de comprar um jogo do genero na próxima encomenda, como comparam os dois jogos?
Hugo, o Kreta é mais jogo. Ou seja, as decisões são muito mais difíceis do que no China. O jogo é muito mais exigente e mais "apertado".
Para além disso inclui as role cards que acrescentam uma forte componente táctica, timing, ao jogo.
Também tem um outro mecanismo que eu gosto que é a alteração da região seguinte a ser pontuada... isso pode fazer com que consigas posicionar-te melhor e, do ponto de vista estratégico, ser mais coerente.
Só falta mesmo dizer que, na minha opinião, prefiro o Kreta. É também um area control mas não se pode dizer que os mecanismos sejam, sequer, idênticos.
Abraços
Paulo
Acho que este Natal me vou decidir pelo Kreta e El Grande. Já agora, Kreta e El Grande são suficientemente diferentes para que a compra dos dois seja compensadora, ou acham que as experiências de jogo são demasiadas parecidas e não justifica ter os dois jogos na mesma colecção.
Tou um bocado indeciso. Não sei se compre os dois ou se, por outro lado compre apenas o El Grande e compre o extraordinario Shogun.
Isso agora é complicado...
Se por um lado eu prefiro o Kreta ao El Grande, dá-me ideia que o El Grande é mais concensual. É um jogo que, normalmente, toda a gente gosta muito e é extremamente elegante em termos de mecânica/interacção.
Por outro lado tem uma coisa que me encanita e que tem a ver com a exagerada influência que as cartas que estão no display podem ter na estratégia do jogo.
Essa é uma opinião generalizada aqui do nosso grupo, que já jogou El Grande uma dúzia de vezes...
Talvez os jogos até se possam comparar em termos de "sensação de jogo" e, pondo as coisas dessa forma, pode ser redundante teres os dois...
Falando por mim, e acho que podia ter começado assim, eu comprava o El Grande e o Shogun. :)
Abraços e bom Natal
Paulo
Apesar de tudo (cartas) o el grande!
Ou então liberté... mas isso já é outra coisa...
Eu por mim prefiro o KRETA. Concordo de EL GRANDE seja um perú mais gordo para este Natal, mas é um perú com muitos ossos miúdos. Eu prefiro KRETA por vários motivos, mas sobretudo porque já vem desossado :) é mais rápido e tem muito mais ritmo. Tem quase todas as características de EL GRANDE com a desvantagem de ser menos elegante e com a vantagem de ser mais divertido, sem ser contudo um jogo light, que não é! É um jogo até muito bem amanhado, com decisões bem difíceis...
EL GRANDE é parcialmente language dependent (tem as cartas manhosas), e se comprares o jogo mais as cartas em Inglês vais gastar mais de €35. Por outro lado o KRETA fica-te a menos de €25 e é totalmente language independent...
Boa escolha...
Já me decidi, após muito matutar e passados 10 maços de cigarros. Vai ser o El Grande e o Perikles.
Já agora, voces que têm o emissário portugues a Essen, ja tiveram tempo de jogar o Perikles?
Ainda não jogámos o Perikles.
Experimentámos o Tempus, o tal light civ e gostámos. O jogo está bem esgalhadinho.
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