24/04/2007

Indonesia

Mais uma novidade que saltou para a mesa. Desta vez vamos transportar mercadorias pela Indonésia. Logo chegou a promessa que a invasão a Timor seria desta vez mais pacífica.

Aberta a caixa, deliciam-se os olhos por todo o material incluído. Ele são centenas de tokens em cartão, pedras que representam cidades, barcos em madeira, um tabuleiro que provoca a inveja a muitos outros e dinheiro, montes de dinheiro, as notas mais felizes que as moedas, mas... Lá mais para a frente, iremos perceber que nem tudo são maravilhas… os tokens atrapalham, os barcos não são muito diferenciados, nem em quantidade suficiente, o mapa até nem é tão esclarecedor como seria necessário. No fundo salvam-se as pedras.

Cada jogador recebe uma folha, onde temos a sequência de turno, o nosso dinheiro e o nosso banco. Esta é uma das principais diferenças do jogo em relação aos seus pares. O dinheiro que se utiliza em bids para determinar a ordem no turno é guardado ao lado do nosso dinheiro disponível. No final do jogo ganhará quem tem mais dinheiro, e o que foi utilizado durante o jogo para estas bids é acumulado ao dinheiro que cada um tem no fim. Portanto o dinheiro para estas bids não é perdido, apenas deixa de estar disponível.

O jogo em si consiste em gerir empresas que vão aparecendo na mesa como cogumelos em clima húmido. Existem 2 tipos de empresas: Produção e Transporte. O jogador pode optar por se dedicar a apenas um dos ramos de negócio ou a ambos. Depende da sua capacidade de gestão. A quantidade de empresas que um jogador pode gerir é determinada pelo número de slots que tem disponível e que pode ser incrementada na fase de desenvolvimento.

Assim existem 7 acções durante um turno:

- Verificar o final de um era (o jogo decorre durante 3 eras).

- Bidar pela ordem de turno

- Merges

- Aquisições

- Pesquisa & Desenvolvimento

- Operações

- Crescimento de Cidades.

Como foi dito o jogo tem 3 eras. Quando se acabam as empresas disponíveis para aquisição, significa que a era termina. Quando uma nova era se inicia, são colocadas na mesa mais empresas, para que se possam proceder a mais aquisições. No final da 3ª era, o jogo termina.

A ordem de turno no inicio do jogo pode não ser muito importante, acabando por influenciar apenas na fase de aquisições, mas à medida que o jogo vai evoluindo e as cidades começam a ficar lotadas e os barcos sem capacidade de transporte, a ordem é cada vez mais relevante.

As fusões (merges) são o sal do jogo. Um jogador pode propor uma fusão entre empresas de 2 adversários e acabar por ficar com ela, podendo até deixar os outros jogadores sem nada para gerir, é improvável, mas… nunca digas nunca. É também através das fusões que se podem criar empresas de produção de comida para micro-ondas?!?!?! Coisas de Indonésios, não me vou esforçar a explicar. No fundo juntam arroz e especiarias, et voilá, é só colocar no micro-ondas. Uma refeição rápida, nutritiva e natural. Do melhor que se pode arranjar.

Aquisições: Nada de especial. Basta ter um slot vazia e apanhar uma empresa que esteja abandonada no tabuleiro. Uma qualquer.

A Pesquisa & Desenvolvimento é a decisão, talvez, mais importante que tem que se tomar no jogo. Temos uma tabela onde existem 5/6 factores diferenciadores, cada um com 5 níveis e durante cada turno podemos decidir evoluir num deles.

Assim temos:

- Um factor multiplicador de dinheiro pela bid da ordem de turno. Ou seja em se evoluirmos 1 nível, cada vez que oferecemos 5 rupias para ser o primeiro, estamos na realidade a oferecer 25. No 2º nível, 5 rupias representam 125, etc…

- Slots. No início cada jogador pode gerir apenas 1 empresa. Ao evoluir nesta categoria vai podendo gerir cada vez mais até 1 máximo de 5 empresas. Há que realçar que um empresa fundida (através de 2 ou mais empresas) ocupa apenas um slot.

- Expansões. Após uma entrega total de produtos de uma empresa, esta pode expandir-se. Ou seja, passará a produzir mais um produto a cada turno. Caso o nível de expansão seja superior a 1, então a empresa poderá produzir mais produtos a cada turno. A expansão pode ser também utilizada nos barcos. Em cada turno uma companhia pode adicionar mais um barco à sua frota. Com este upgrade, poderá adicionar mais que 1.

- Hull player. O jogador compra mais espaços para o seu barco. Ou seja, um barco tem um limite de 1 entrega por turno. Com este avanço pode aumentar o número de viagens por turno.

Após isto temos a fase de operações. Nesta fazem as empresas de produção fazem a entrega dos seus produtos. Cada cidade receberá 1 produto de cada. Por cada produto entregue a empresa produtora recebe uma quantia, dependendo do produto, que pode ser de 20 a 40 rupias. A empresa terá que pagar ao gestor dos barcos 5 rupias por cada barco que utiliza. Os barcos foram carreiras. Para se chegar de um local de produção a uma cidade podem ser utilizados vários barcos. Se a empresa puder entregar o produto numa cidade distante, que a force a pagar mais do que o que irá receber, essa entrega terá que ser feita à mesma.

É aqui que a ordem de turno começa a ser mais importante à medida que o jogo avança, pois com mais produtos para serem entregues, com as cidades a ficarem esgotadas logo nas primeiras entregas, e os barcos a não poderem ser utilizados, por vezes a produção fica por escoar.

As cidades podem evoluir, sendo que para isso, estas terão que receber todos os produtos que foram fabricados num turno. Uma cidade que evolua pode passar a receber 2 produtos do mesmo tipo e até 3, caso atinja o nível 3. No nosso caso nenhuma passou do primeiro nível. Para que tal aconteça, digo eu, os jogadores não poderão apanhar todas as empresas na fase de aquisições. Mas nós ao bom estilo tuga… se estão ali, e até são de borla, porque é que não a hei-de ter.

No fim desta fase verifica-se os produtos que cada cidade recebeu. Caso os tenha recebido todos, a cidade evolui. Como já referi, nunca tal nos aconteceu.

O jogo flúi de uma forma interessante, e a interacção entre os jogadores vai começando a intensificar-se durante o decorrer do jogo. As regras são simples e facilmente assimiláveis. Nota: 8. O jogo requer mais umas visitas… e merece-as. Com mais jogos a dificuldade de interpretação do mapa deve diluir-se e o jogo só tem a ganhar com isso. Try it.

9 comentário(s):

Costa disse...

Nice review.
Concordo em absoluto contigo, até na nota (o que é de estranhar). De facto o jogo é penalizado pela sua difícil interpretação. Mas com o tempo também acho que o jogo tenderá a simplificar-se e inclusivé a ser jogado mais rápido (talvez mesmo numas boas 3 horitas). Eu gostei muito das mecânicas do jogo. Mas desgostei da sua apresentação e sobretudo da sua intelegibilidade. Mas é claramente um jogo a não perder de vista.

soledade disse...

Boa malha!
Eu gostei muito do jogo. Acho até que mais meio pontito não lhe faria mal. Para mim, um 8,5 sólido.

A Splotter começa a ser uma daquelas editoras a não perder de vista. Pena é o preço dos jogos...

O que é , realmente, impressionante é a forma como eles conseguem estas coisas sem o mínimo de aleatoriadade. O jogo vive da estratégia pura, e cada jogador tem, exactamente, as mesmas oportunidades. Ainda por cima nem é assim tão demorado. joga-se perfeitamente, como diz o Costa, em três horitas.

Os defeitos têm de ver, sobretudo, com a leitura do tabuleiro e com a percepção dos barcos e daquilo que eles ainda podem fazer. Apesar disso não o vou penalizar. Há uma solução simples para a questão dos barcos e o tabuleiro exige algum hábito, como disseste. Obrigatoriamente, tem de ver a mesa mais vezes.

Azulantas disse...

No segmento dos jogos relacionados com negócios/gestão ainda só joguei 3 jogos (4 se considerarmos o Puerto Rico). Foram/são eles:
a) 1830/70
b) Acquire
c) Power Grid

Destes todos o que mais me agrada é o Power Grid, mas acho que lhe falta qualquer coisinha para passar de muito bom a excepcional.

Como é que vocês comparam o Indonésia a outros jogos de negócios?

Azulantas disse...

ooopss!

Esqueci-me do Monopólio

Costa disse...

O INDONESIA tem um ligeiro travo a PUERTO RICO, mas sem os roles típicos de Seyfarth. Nunca joguei 1830 ou ACQUIRE, por isso é-me difícil de comparar. Mas em INDONÉSIA não há bolsa de valores, as coisas valem sempre o mesmo. A piada do jogo está na expansão do negócio, no aproveitamento de novas oportunidades e nas fusões de empresas.

Unknown disse...

"Nós não vamos jogar Indonésia pois não?"

E não é que jogámos, e que o jogo... é mesmo bom, daqueles que entram de caras para qualquer top 10...
O tema e as mecânicas do jogo interligam-se de uma forma quase perfeita, de tal ordem harmoniosa que nos leva a entrar completamente no espírito do jogo e da época e a esquecer o factor tempo...

Ps-gostaria de salientar a vitória da única companhia de transportes que não violou os direitos humanos e explorou e/ou anexou países...

BrainStorm disse...

Há pois é... pensas que eu n sei que quem limpava os teus barcos e carregava as mercadorias eram putos de 7 e 8 anos, a troco de uma misera tijela de arroz ao fim do dia... eu bem vi, mas não quis dizer nada.

soledade disse...

@hugo
Tens de nos explicar como é que se joga o 1830! Nós embirramos um bocado com aquilo.

Em relação ao resto, também reparei nos putos explorados na Indonésia por aquela empresa de barcos. E eu sei isso porque comprei essa empresa e aquilo vinha enquinado. Cheiinha de putos de metro com cabelo liso e ar de aitarak.

Ah! e cona sou eu que fiquei com aquilo. A banha da cobra que eu comprei deu a vitória aos fascistas exploradores...

@hugo
é mesmo a sério. ensina-nos a jogar aquilo...

Azulantas disse...

Paulo, por mais que eu quisesse...

Joguei primeiro ao 1870, no qual a bolsa é mais estável pois as proprias companhias podem comprar acções com o dinheiro da empresa (em vez de ser o jogador) e isso permite "blindar" as empresas contra takeovers hostis ou coisinhas más do género.

No 1830 não existe essa possibilidade e o mercado é mesmo selvagem. Para além disso existe aquela companhia-fantasma que é só para ganhar uns trocos à sucapa (aquela pequenina mais ou menos a norte/centro no tabuleiro).

Como apenas joguei cada um destes uma unica vez, em ambas as quais me aconteceu aquela cena de que quando começo a atinar com o jogo, ele acaba.

Há uns tipos lá no clube que são vidrados nessa cena e posso tirar algumas duvidas a limpo com eles. Mas o melhor mesmo é recorreres ao Geek, pois neste momento ando um pouco ocupado e não sei quando é que lá volto.

Abraços (e desculpa não poder ajudar mais...)

Based on original Visionary template by Justin Tadlock
Visionary Reloaded theme by Blogger Templates

Visionary WordPress Theme by Justin Tadlock Powered by Blogger, state-of-the-art semantic personal publishing platform