18/05/2007

Carolvs Magnvs

O jogo estava há muito tempo a ganhar pó nas prateleiras. Após uma consulta a uma Geeklist verifiquei que este era sem dúvida um dos jogos recomendados para jogar a 3, o número de presenças habitual aos sábados. Após uma leitura rápida às regras ficamos imediatamente com a ideia que este é um jogo diferente. É muito fácil de explicar e entender, embora seja muito difícil de jogar. Vamos lá a isso.

A ideia do jogo é controlar “facções” do exército de paladinos de Carlos Magno e desta forma adquirir o controlo de regiões – que se vão unindo – até que uma das facções consiga edificar os seus oito castelos.

No início do jogo os jogadores lançam 9 dados (que saudades que tenho do Yspahan) para formarem o seu exército de paladinos. É o nosso Padock, onde os paladinos aguardam por ordens. Os jogadores têm também um conjunto de 8 castelos e uma representação da corte do Grande Carlos.

O jogo tem um número indefinido de turnos. O turno inicia-se com um leilão. Este leilão determinada a ordem de jogo e também o número máximo de regiões que Carlos Magno irá percorrer até parar numa região, onde pretende pernoitar.

Os jogadores pela ordem de leilão colocam 4 paladinos na Corte de Carlos Magno, isto para conseguirem uma maior influência junto de uma das facções, e deste modo ganhar controlo sobre ela, ou então colocam os paladinos distribuídos pelas regiões da forma que pretenderem.

Se no início é fundamental colocá-los na corte para ganhar o controlo de uma facção, no final é forçoso colocá-los nas regiões pois o controlo das facções já estará mais definido.

Após a colocação dos paladinos, é a vez de Carlos se mexer pelo seu reino. O número de regiões máximo que se pode deslocar é o número utilizado no leilão. Na região onde o movimento termina é edificado um castelo (caso ainda não exista) pelo jogador que controla a região, ou seja, pelo jogador que controla a cor em maioria na região. Caso a maioria tenha alterado durante a volta que Carlos deu ao reino, então o castelo do jogador cessante é substituído pelo castelo do novo controlador da região. O castelo é edificado mesmo que seja por outro jogador que não o que está a carregar a liteira de Carlos Magno. Caso um jogador tenha dois castelos em regiões adjacentes, então estas são unidas criando assim uma região maior e mais apetecível.

No final do turno o jogador lança 4 dados para reabastecer a sua cavalariça.

Se em algum momento um jogador colocar os seus oito castelos nas regiões este é automaticamente proclamado o MAIOR entre os heróis cavalheirescos, errantes e destemidos, de carácter inquestionável que seguem sempre o caminho da verdade, lei e ordem, sempre dispostos a proteger os fracos e lutar por causas justas.

O jogo termina também no momento em que das 15 regiões inicias estejam apenas 3 ou menos na mesa, por causa de unificações, sendo que nesta altura, o MAIOR entre os heróis cavalheirescos, errantes e destemidos…. Yada yada yada, será aquele que mais castelos tem sobre as regiões.

Em resumo, o jogo acaba por ser uma horita bem passada, mas onde as contas são constantes, quer seja para determinar o número de cavaleiros que os outros têm na corte, o número que têm nas regiões, o número de regiões que o Carlão vai percorrer, etc… Depois temos a sorte dos dados, que acaba por ter alguma influência nos paladinos que vamos buscar. O número que utilizamos para leiloar é muito importante também, mas o que os outros usam por vezes é mais, e em determinado ponto é o nosso adversário que “faz” a nossa jogada. O jogo é bastante estratégico, mas é muito difícil prever o que acontecerá, e a maior parte das vezes andamos a “apagar fogos” ao invés de seguirmos uma estratégia rígida e planeada.

Nota 7/10. Merece mais oportunidades, e com uma variante para a não utilização dos dados até pode subir alguns pontos. Se nunca jogaram, aconselho a que o façam, pois merece pelo menos um contacto.

5 comentário(s):

soledade disse...

Merece um contacto, sim senhor. Mas deixa que, primeiro que tudo, te cite: "O castelo é edificado mesmo que seja por outro jogador que não o que está a carregar a liteira de Carlos Magno".
Tu disseste liteira? Mas isso pode-se dizer? Tipo... acho que essa palavra foi proibida no século XVIII!!!

Bom, mas o jogo não é nada arcaico. É até bem moderninho porque adiciona alguns mecanismos giros e, de alguma forma, originais. Sobretudo a mecânica. O jogo gira em torno da figura de Carolus que anda em volta dos tabuleiros provocado por leilões e cores que representam facções. Isto é original. Não haverá forma melhor de mover Carolus, Magno.

Depois temos os dados. Aí todos são ajudados e prejudicados, é verdade, mas a dificuldade do jogo merecia algo mais controlável que não os dados. E depois, se pensarmos na coisa do leilão, que será controlável, não é, de facto. Como tu dizes, o leilão é demasiado determinado pelos adversários e, lá está, andamos a apagar fogos.

Portanto, e aquilo que eu não gosto, essencialmente, no jogo, é o facto de as coisas que poderíamos controlar serem, também elas, incontroláveis em mais de 60% (percentagem inventada).

Resumindo (é a segunda palavra conclusiva que uso no comentário, ou seja, mostra bem a confusão que é o jogo) gostei e não gostei de Carolus Magnus. Acima da média as mecânicas e a forma como nos envolve na criação de maiorias, primeiro, no padock (onde não há gajas boas mas é pena), segundo, nos tabuleirinhos, onde muito se decide.
Abaixo da média, a sorte demasiado determinante para a complexidade do jogo, a forma descontrolada como assumimos quase tudo.

Nota: 6

Unknown disse...

Concordo com tudo, basicamente o jogo é bastante bom... mas muito imprevisível... senão vejamos: eu ganhei... no exacto momento em que já dava o jogo por perdido...
Merece uma nova oportunidade... apesar de não ser o meu estilo:
NOTA 7

Hugo Carvalho disse...

Eu só joguei uma vez e não fiquei muito entusiasmado.
O jogo obriga o jogador a estar muito tempo parado até ser a sua vez de jogar. E depois enquanto espera não pode fazer nada. Por outro lado quando chega a sua vez de mexer nos cubos e no Carlos Magno até tem um desafio interessante, ver qual é a melhor jogada, mas isso demora algum tempo e apesar de ser desafiante para a pessoa que está a jogar, para os adversários é uma seca, pelo menos quando jogado a 3. É perfeitamente razoável estarmos uns 7/8 minutos à espera que o turno chega a nós novamente.
Depois outra coisa q me chateia é a quantidade de cubos.São cubos na corte, são cubos nas regiões, são cubos nos dados... Depois contam-se os cubos do amarelos do jogador a, os vermelhos do jogador b, os verdes do A outra vez. Enfim, conta-se muito. E enquanto um conta, os outros não podem fazer rigorosamente nada a não ser esperar.
Apesar de ter jogado só uma vez não achei mesmo nada de especial, mas pode ser que numa segunda oportunidade as coisas corram de forma diferente.

zorg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zorg disse...

Eu gosto muito deste Carolus Magnus! É daqueles jogos que me faz pensar de uma maneira muito diferente do que é normal. Parece-me sempre que estou a exercitar partes do cérebro que não estão habituadas a ser exercitadas.
Creio é que lhe acho mais piada com apenas 2 jogadores do que com 3, porque se torna substancialmente menos complicado planear algumas jogadas à frente. Mas isto também pode ter mais a ver com o meu reduzido domínio do jogo, do que propriamente com o jogo em si.

Em relação à sorte dos dados, eu gosto de acreditar que quando não me saem os cubos que eu preciso para fazer determinada coisa, isso se deve mais à minha inépcia (porque me pus numa situação em que necessitava de cubos de uma determinada cor), do que propriamente à sorte e ao azar.

Seja como for, há uma variante muito simples que pode ajudar quem sente que o nível de aleatoriedade é demasiado para o seu gosto: lançar os dados no inicio da jogada, em vez de ser no final.

Isto permite que se faça a jogada actual já sabendo que cubos se irá receber no final. Isto dá muito mais alternativas ao jogador no que diz respeito a lidar com a sorte e o azar dos dados. Creio que esta variante foi sugerida pelo próprio Colovini que até ponderou inclui-la no jogo como uma opção "avançada".

Recomendo vivamente que não desistam deste Carolus Magnus e lhe dêem mais uma ou duas hipóteses. É um jogo com muito para aprender e muito diferente do que é habitual.w

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