Ontem foi dia do Pai. Dei-lhe um grande abraço e depois fui para casa. Gostaria de ter ficado com ele e jogar qualquer coisa, mas isso não aconteceu. Os motivos não interessam, mas levaram-me a pensar no assunto. Decerto que esta minha paixão pelos jogos resultará de uma qualquer reminiscência do passado e quase de certeza que essa fagulha longínqua, esse momento lúdico definitivo e marcante terá tido origem no meu Pai. E pûs-me a recordar... os jogos que o meu Pai me ensinou a jogar e desses jogos escolho cinco para este top, escolho os cinco que mais me marcaram.
1) Xadrez - O meu pai ensinou-me a jogar este jogo quando eu tinha 13 ou 14 anos. Devo ter feito nessa altura mais de uma centena de jogos com o meu Pai. Acho que nunca lhe ganhei, faltava-me sempre a concentração e o meu Pai sempre me dissera "... filho, 8 em cada 10 vezes ganha o jogador mais atento e não o melhor...". Nunca aprendi esta lição, ainda hoje jogo distraídamente e isso penaliza-me. Mas aprendi a jogar Xadrez e ainda hoje sei as regras e sou capaz de me divertir ocosionalmente com umas partidas.
2) Gamão - Sempre que me lembro deste jogo lembro-me da mesa de madeira com bancos corridos que existia no quintal da casa da minha falecida avó paterna, na então isolada aldeia de Regadas, perto de Fafe. Foi naquela mesa, numas férias de Verão (daquelas de 3 meses), que o meu Pai me ensinou a jogar Gamão. Acho mesmo que este foi o primeiro jogo que joguei com dados. Terei jogado também perto de uma centena de partidas com o meu pai e o meu Avô e acho que consegui ganhar algumas partidas. Infelizmente já não me lembro das regras, mas se calhar isso poderia ser um bom pretexto para voltar a jogar com ele.
3) Poker - Muitas noites de Verão, naquela mesma mesa de madeira com bancos corridos em Regadas, forma passadas a jogar Poker a feijões (literalmente feijões, que o meu avô guardava numa garrafa de Mokambo). O meu Pai, eu e alguns primos lá nos iamos divertindo a jogar Poker nas suas mais variadas formas, a aprender a fazer bluffs e a tentar contar probabilidades. Ás vezes lá ganhava, mas acho que era sempre por sorte. Ainda hoje gosto de Poker.
4) Mikado - Mais uma lembrança de Verão na aldeia de Regadas. O meu Pai e eu e os meus primos, naquela mesma mesa a brincar com pauzinhos de cores variadas. Muito me diverti eu com este clássico de destreza.
5) Crapô - Também conhecido por Crapette, ou Russian Bank ou ainda Spiteful Bank, este é (a par do Xadrez) um dos jogos que mais me faz lembrar o meu Pai. É um jogo em que dois jogadores competem entre si, numa espécie de solitário para dois, que se joga com dois baralhos, 104 cartas. Joguei muitas partidas de Crapô com o meu Pai, ganhando e perdendo algumas. Depois foi a minha irmã, que é mais nova, que se deixou contagiar com este jogo e nasceu uma vencedora. Digo isto porque nunca nenhum de nós (o meu Pai ou eu) lhe conseguiu ganhar uma partida e garanto-vos jogámos, entre todos, mais de 100 vezes.
Feliz dia e obrigado Pai!



5 comentário(s):
Muito bonito Luís. Há muito carinho a perpassar essas memórias.
O meu pai é fiel adepto da sueca e do dominó, os jogos que me ensinou. Ele vê as jogatanas lá em casa mas não se mete ao barulho. A não ser na parte final, a que mete um bom tinto, queijo e presunto...
Belíssimo Top, Costa. E muito a propósito.
Muito bom registo !
Grande top !
Os jogos de tabuleiro trazem realmente memórias impregnadas no cheiro das caixas, momentos na textura das cartas...
Abraço a todos os pais !
Belíssimo top. Eu lembro-me de não ter ainda idade para jogar e receber o Monopólio. Ganda jogo. Jogaço! Tinha notas e tabuleiro e tudo. Era hiper-complexo e o meu pai ensinou-me a jogar. Daí para cá, é o que se vê.
A sueca era impossível. As manhas de quem sabe jogar com a língua de fora ou o piscar dos olhos ou o torcicolo no pescoço, nunca as consegui perceber. O meu pai fez e faz todas essas coisas. Segredos de quem sabe que um ás só sai depois da bisca.
O xadrez também está no meu rol. O mais complexo jogo da minha infância, que eu joguei umas dez vezes sem ganhar. Mas foi o meu pai que me ensinou.
Por último, o mais importante jogo de todos. Aquele que tem as regras mais fáceis e também as mais difíceis. Aquele em que ganhamos duas vezes, sempre que ganhamos e perdemos duas vezes, sempre que perdemos. Ser pai é o jogo dos jogos. O meu pai ensinou-me a ser pai. Obrigado por isso.
Costa e Soledade, muito bom o que escreveram.
Os vossos textos e os comentários adjacentes são um (bom) exemplo de como esta comunidade tem um espírito salutar.
Apenas consigo acrescentar que no "jogo do Pai", os meus filhos são os que mais me têm ensinado... e que difícil é este jogo!
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