13/05/2010

Jogar no ATL

Pedro Dominguez tem 36 anos e há oito que é animador num ATL na região de Lisboa. Trabalha toda a semana com miúdos dos 6 aos 13 anos e os jogos de tabuleiro entraram já no dia a dia daquele ATL.
SP - Quando começaste a pôr os miúdos a jogar?
Pedro Dominguez (PD) - Começámos a jogar nas férias do Natal de 2008.
SP – Como é que surgiu essa ideia de levar jogos de tabuleiro para o ATL?
PD - Quando eu comecei a jogar percebi que podia ser um tipo de actividade muito interessante para os miúdos. Um dia levei para experimentar o primeiro jogo que comprei (Hansa) e a reacção foi tão boa que a partir daí incluímos os jogos de tabuleiro nas actividades do ATL.
SP - Como o fazes? Jogam sozinhos ou tem de estar presente um educador?
PD - Normalmente jogam com um adulto que, além de jogar, tem a função de explicar o jogo (regras e temática).
SP - Como tem sido a reacção deles?
PD - Inicialmente não conheciam os jogos e só os miúdos mais velhos é que se interessavam, mas como envolvemos os mais novos em jogos, como por exemplo, “Os lobisomens da aldeia velha”, que tem uma grande dinâmica de grupo, o interesse geral de todos aumentou consideravelmente e sempre que aparece um jogo novo querem conhecer e aprender a jogar.
SP - Quais as principais mais valias que vês na utilização dos jogos de tabuleiro?
PD - Com o aumento do interesse nos jogos de tabuleiro identificamos um decréscimo no interesse dos miúdos nos jogos multimédia, como os dos PC e da Playstation2 , que acabam por ser jogos onde o factor social não é valorizado. Nos jogos de tabuleiro, além do factor social, pela partilha constante e diálogo ao longo de todo o jogo, apercebemo-nos que os miúdos começam a desenvolver capacidades diversas: de jogo em equipa; de criar estratégias de jogo; bem como em alguns jogos que dependem da linguagem, de tentar ler o que dizem as cartas em inglês.
SP - Que jogos são utilizados?
PD - Como no ATL há 3 animadores que gostam e têm jogos de tabuleiro, diversidade é coisa que não falta, durante este ano já devemos ter jogado perto de 30 jogos, não contando com as expansões. Jogos mais jogados: Lobo, Lobisomens da Aldeia Velha, Keltis, Volta ao Mundo em 80 dias, Puerto Rico, Ticket to Ride, Coloretto, Filou, 1886 Loures, Aljubarrota, Carcassone…
SP – São eles que escolhem ou os educadores procuram adequar a proposta com determinado fim educativo?
PD - Nos momentos informais são sempre os miúdos que escolhem que jogo querem, de acordo com os disponíveis no ATL. Nos atelier’s, conforme o planeamento das actividades, poderão ser eles a escolher ou poderá haver um enquadramento pedagógico.

SP – Procuras levar à mesa os jogos de criação portuguesa, nomeadamente de autoria do Gil D’Orey. Qual tem sido a reacção?
PD - Do ponto de vista pedagógico, gosto de jogos com temáticas portuguesas e, nesse contexto, os jogos do Gil D’Orey são muito interessantes porque alguns dos temas dos jogos dele são de locais muito perto do nosso ATL, o que para os miúdos ainda é mais motivador.
SP - Tens tido reacção por parte dos pais?
PD - Muitos pais nos questionam sobre “que jogos são esses” de que os filhos lhes falam e que, em alguns casos, lhes pedem para comprar. No caso dos miúdos mais novos falam muito no “Lobisomens da Aldeia Velha”, no caso dos mais velhos, alguns já compraram jogos como o Keltis, a Volta ao Mundo em 80 dias ou o Lobo.
SP – Quando jogas coisas novas procuras encontrar boas apostas para o ATL ou gostas de coisas mais “pesadas”?
PD - Eu gosto de jogar todos os tipos de jogos, inclusive os “pesados”, e apesar de não estar constantemente à procura, algumas vezes penso que um ou outro poderá ser um bom jogo para experimentar no ATL.
SP – Que conselhos darias a educadores que queiram introduzir os jogos de tabuleiro junto dos mais novos?
PD - O único conselho que posso dar é que experimentem os jogos de tabuleiro com os miúdos com quem trabalham, tendo em conta, como é óbvio, a escolha dos jogos conforme as idades deles. Irão ter, sem dúvida, resultados muito positivos.

5 comentário(s):

Neoiconoclasta disse...

Olá meus caros,
Sou brasileiro e não compreendi exatamente o que é esta ATL?

Evaldo Vasconcelos

soledade disse...

Olá Evaldo. ATL significa actividades dos tempos livres e, normalmente, está associado a escolas e jardins de infância para os tempos em que não há aulas. Ocupar esses tempos com jogos é do que se trata nesta entrevista.

É uma boa desculpa poder levar os jogos para o trabalho. Quem me dera! :)

Numa experiência do ano passado fomos à escola da minha filha fazer uma coisa idêntica com cerca de 30 miúdos e levámos uns dois sacos do Ikea com jogos. Os putos gostaram todos muito e, achei curioso o "avanço" que a minha filha levava em relação aos outros miúdos que nunca tinham jogado nada do género. Reparei que ela assumia o jogo de forma natural e pensava, calmamente, cada decisão enquanto os outros decidiam de forma mais bagunçada e desorganizada.

Isto não prova coisa nenhuma mas, para mim, os jogos também podem ajudar a "acalmar" alguma da agitação dos miúdos naquelas alturas em que tem de se decidir. E o mais importante que eles podem levar para o resto das vidas deles é mesmo essa capacidade de decidir bem e com calma.

Jose Santos disse...

No ATL que a minha esposa orienta ela tem usado alguns jogos como escape para a energia da criançada. para sossegar a malta de forma natural e interessada. E tem conseguido também o contrário, que é pedagógicamente algo de muito interessante: trazer ao protagonismo miudos mais apagados ou impedidos de "brilhar" em outras oportunidades! É o caso, por exemplo, dos deficientes motores, que à mesa são mesmo "iguais"!

Carlos Abrunhosa disse...

que interessante haver mais testemunhos de actividades com jogos em ATL. Eu também jogo com os miúdos do ATL da minha mulher e com os meus próprios alunos na escola!
Bom artigo, parabéns!

Unknown disse...

Adoro quando os miúdos tentam fazer batota... é delicioso... ver os outros aos gritos:
"-Oh senhor !!! Oh senhor !!!
o "não sei quantos fez não sei o quê... !"

Based on original Visionary template by Justin Tadlock
Visionary Reloaded theme by Blogger Templates

Visionary WordPress Theme by Justin Tadlock Powered by Blogger, state-of-the-art semantic personal publishing platform