10/09/2010

A Indústria pelo Avesso

Estava aqui a pensar em jogos e resolvi partilhar este pensamento (pergunta) com os fiéis leitores deste blog: será que o mundo dos jogos nos vai surpreender em breve com um jogo não igual aos outros? É que a questão é, na minha opinião, mais que pertinente - se, por um lado, cada jogo é um jogo e Essen, muito próxima, é capaz de surpreender pelo manancial de títulos a apresentar, por outro, e este é o mais relevante nesta fase (para mim), será que a indústria terá capacidade de se reinventar ao invés de procurar o filão do rótulo bonitinho ou dos componentes espetaculares?
Vivemos uma espécie de inversão de marcha que coloca muitos jogos de papel em formato electrónico, depois destes se terem tornado naqueles. Parece um jogo do Knizia que é de tabuleiro e depois de cartas e depois de tabuleiro outra vez. A tendência parece ser essa e não parece haver vontade (espero que estejamos a falar de vontade mais que de talento) para apresentaar coisas realmente novas, novos sistemas, mecânicas, que nos façam dizer Uau! novamente.
Fica este pensamento para ler as vossas opiniões.

8 comentário(s):

haroldun disse...

Eu sou um céptico, não vejo por aí novos paradigmas. Nestes ultimos anos tenho vindo a assistir ao esgotar de modelos de jogo. O modelo alemão, esse, já nem quero falar dele - acho que se esgotou. Mecânica depois tema. E depois louvamos uma pequena inovação nas mecânicas, como no VdG. Houve algumas excepções, valha-nos Deus. Mesmo nos wargames a coisa se está a esgotar. Houve o pull chit que muito refrescou, mas até já os CdG às vezes chateiam por se quererem proliferar que nem coelhos na Austrália. Temo que as excepções venham a ser cada vez menos. E às vezes penso que o BGG é um problema no meio disto tudo. Os criadores vão de encontro ao que está lá em vez de abrirem um caderno em branco. Talvez por isto é que alguns de nós voltam atrás no tempo. Há demasiada gente a fazer/vender jogos e (para o negócio que é) a comprálos. Enfim, sou céptico.

Cacá disse...

Eu acho que algo realmente novo é sempre muito difícil de aparecer em qualquer área, ainda mais num campo onde temos vários lançamentos todo mês e que as editoras/autores precisam de dinheiro (e as vezes o novo não vende tão bem do que requentar o velho)...

Mas mesmo no requentado ainda aparecem boas coisas, tenho jogado umas novidades bem interessantes tipo Macao, Egizia, Jerusalem que apesar de modelos já vistos, tem coisas interessantes a apresentar...

Não sou tão cético, é muito bom ser surpreendido por coisas realmente novas (tais como o rondel que tão bem ilustra o post), mas acho que a "adaptação ao méio" das novidades também me agradam...

mundo lúdico disse...

Realmente, surpreender neste universo lúdico hoje em dia é tão difícil quanto achar um belo diamante! Mas mesmo assim prefiro que continuem tentando a cada ano criarem jogos, do que parar de criar por não haver nada "extraordinário". Espero que essa indústria cresça, e que primem pela qualidade, criatividade e engenhosidade, e também pela diversão!

Costa disse...

Tem havido aqui e acolá, nestes dois últimos anos, alguns jogos que me surpreenderam pela frescura da novidade, ou pelo menos, pela capacidade de reinventar. Falo de DOMINION, DIXIT, VASCO DA GAMA e LAST TRAIN TO WENSLEYDALE, para citar alguns. Acho que a roda já foi inventada, e dificilmente vamos encontrar algo verdadeiramente original e revolucionário. Mas haverá certamente muitos jogos que saberão aproveitar o que já existe de forma criativa e refrescante. Não sou assim tão céptico!

Tiago Duarte disse...

Eu acho que não é preciso reinventar a roda para termos bons jogos. Julgo que mais importante é aproveitar as muitas mecanicas que já foram inventadas e melhorá-las acrescentado sempre que possível novos pormenores.

soledade disse...

Novos e bons jogos vão aparecendo mas, o que me preocupa é que o que o pessoal vem fazendo é olhar mais para aspetos unicamente comerciais que, antigamente, eram deixados mais para segundo plano, relegando, sobretudo, o trabalho de autor.

O que a Internet tem proporcionado é que apareçam jogos realmente originais e, alguns deles, muito bem esgalhados mas que, por motivos unicamente comerciais, não aparecem no circuitto comercial como deviam. Não me lembro de ler tantas e tantas vezes, como agora acontece, que "este jogo merecia uma produção a sério". E isto tem que ver com a falta de qualidade criativa dos editores em detrimento da necessidade financeira de meter um produto a render.

Diria que, a empresa perfeita, aquela que eu quero ter, é a que publica parte da criação em jogos para vender o peixe e deixar, pelo menos, 1% do orçamento de estado para a cultura, para a criação, de jogos novos com ideias originais e sem rede. Isso é que era!

Foi assim que nasceu a Warfrog, foi assim que nasceu o Through the Ages, o Antike, o Caylus...

São jogos que nascem porque são, verdadeiramente, jogos bons e originais e que vendem por eles mesmos e não por outro mmotivo "menos nobre" de condução da massa crítica para a unidade!

Comunistas dos jogos, uni-vos contra este capitalismo da criação. O paradoxo dos sistemas está a ameaçar o nosso planeta e, qualquer dia, vemos o Fidel (Sr.Castro) a dizer que o Liberté nunca deveria ter sido publicado!

Hugo Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hugo Carvalho disse...

A minha modesta opinião é que haverá sempre jogos originais ou pelo menos que vão pegar em mecânicas conhecidas e transformá-las em jogos que, apesar de não serem novos, darão um passo em frente à sua inspiração. (agrícola com caylus ou thunderstone com dominion, por exemplo).

Para ser franco a maioria dos jogos novos aborrecem-me porque fico com a sensação que, bem ou mal, é tudo uma questão de administrar cubos coloridos. Depois surge na mesa um Kaivai (um excelente jogo que injustamente se arrasta pelos últimos lugares do BGG), um Brass ou um Imperial que me inspiram e me dão animo para continuar a jogar. Mas francamente acho que, por ano, só meia dúzia de jogos são suficientemente motivantes para justificarem a sua compra.

Mas compreendo que por vezes sintamos uma pontinha de decepção. Eu tinha Wallace em grande conta e todos os novos jogos dele eram esperados com algum frenesim. Depois dos últimos títulos que joguei, fiquei sem curiosidade nenhuma em saber aquilo que ele anda a fazer e duvido mesmo que nos próximos anos consiga colocar no mercado um jogo relevante.

Felizmente para todos nós, vão haver sempre pedradas no charco, mas claro que gostava de dizer uau mais vezes do que as que digo!

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