
Título: Roma
Autor: Stefan Feld
Ano: 2005
Editora: Queen Games
AMBIENTE
Saído da mente do ainda ilustre desconhecido Stefan Feld, ROMA é uma séria aposta da Queen Games no segmento dos jogos light para dois jogadores, procurando assim contestar a imergente hegemonia da Kosmos nesta gama. E ROMA é... uma agradável surpresa! Combinando habilmente os aspectos tácticos e estratégicos que o jogo nos oferece, com o factor da sorte inerentemente associado à tirania dos dados, o jogo acaba por atingir um equilíbrio fascinante. Por entre os muitos lançamentos de dados que vamos fazendo ao longo das partidas vamos aprendendo a tomar as melhores decisões e, raramente um mau lançamento de dados, corresponderá a uma má jogada. Mesmo que a sorte dos dados não nos sorria, é sempre possível fazer dilacerantes combinações. E é este o grande truque do jogo... prever e realizar combos, atacar forte e feio o adversário num poderoso golpe combinado. ROMA é, neste sentido, um divertido, inteligente, bem organizado e emocionante jogo. Concebido para apenas dois jogadores, trata-se de um misto de Card Game com Economical Game que assenta a sua jogabilidade em duas mecânicas distintas, Dice Rolling e Hand Management. Pensado para ser jogado em 20 ou 30 minutos, o jogo tem uma amplitude temporal de término muito mais abrangente. Ou seja, podemos acabar uma partida de ROMA em 15 minutos, mas podemos, pontualmente, também deparar-nos com um jogo que pode chegar a durar 60 minutos. O tema do jogo remete-nos para uma Roma imperialista e decadente, dilacerada pela corrupção dos políticos e dos militares. E é neste cenário que dois adversários vão entrar num duelo pelo poder... utilizando armas subtis e/ou poderosas estes dois inimigos vão-se servindo das cartas e dos dados para obstruir a estratégia do adversário e ao mesmo tempo conseguir adquirir o maior números de Pontos Victória (VP) possível. Neste jogo, como em tantos outros... ganha quem tem mais Pontos Victória no fim do jogo ou ganha aquele que consegue eliminar todos os VP's do adversário. O jogo está bem produzido. As cartas são de um razoável cartão fino e brilhante. A arte nelas impressa é muito bonita, bem desenhada mas com ligeira tendência para o desgaste. As peças que representam o dinheiro e os VP's são simples e de razoável qualidade. Os 8 discos de acção são de boa qualidade e um dos aspectos mais atractivos e originais neste jogo. Um conjunto de 7 dados de madeira perfeitamente banais. Tudo isto integrado numa pequena e apelativa caixa de cartão, fácil de transportar pela sua leveza e tamanho.
ESTRUTURA
Na preparação do jogo, sorteia-se quem começa e jogar e estabelece-se uma linha divisória entre os dois jogadores utilizando, para isso, os discos de acção. Seis deles representam cada uma das faces de um dado, os outros 2 representam, respectivamente, o monte do dinheiro e o monte das cartas. Assim, colocam-se os 6 discos de 1 a 6 e depois em cada uma das pontas desta linha um dos outros dois discos. Os jogadores estão sentados em frente um do outro e farão o seu jogo na àrea do seu lado:
Jogador A
€ 1 2 3 4 5 6 C
Jogador B
No início do jogo cada jogador recebe 10 VP's, 4 cartas e 3 dados de uma determinada cor (azul ou vermelho). À medida que o jogo avança cada jogador vai adquirindo VP's, dinheiro e mais cartas. Todas as cartas têm uma funcionalidade específica e, para activar essa funcionalidade é preciso que as cartas estejam na mesa, associadas a um dos discos de acção de dados e que o valor desse dado saia num dos lançamentos. Exemplificando, o jogador A tem na sua mão a carta Onager que permite atacar qualquer edifício adversário. Esta carta tem um custo em dinheiro. Ou seja, para ser colocada na mesa de jogo é preciso pagar o valor nela inscrita. Pago esse valor, o jogador A resolve colocar a carta em questão em frente ao disco de acção número 5. Daqui para a frente (e enquanto esta carta estiver na mesa) sempre que ao lançar os dados lhe saia o valor 5, o jogador pode activar esta carta. É muito simples. Quando todos os 6 discos de acção de dados estiverem associados a uma carta, qualquer lançamento de dados terá sempre uma activação possível. O jogo desenrola-se por turnos, joga um jogador de cada vez. Cada turno tem 3 fases:
1) No início de cada turno, por cada disco de acção de dados não ocupado o jogador desconta 1VP;
2) O jogador lança os seus 3 dados;
3) O jogador executa as suas acções.
E são 4 as acções possíveis:
a) Colocar cartas na mesa, pagando o seu custo em dinheiro. Estas cartas podem ser colocadas num disco de acção de dados não ocupado ou então num disco que já tenha uma carta, sacrificando e descartando a carta que quer substituir; Esta é a única acção que não necessita de dados;
b) Activar uma carta que esteja associada a um disco de acção de dados através do correspondente valor de um dos dados;
c) Activar o disco de acção do dinheiro, utilizando um dos dados que lançou para ir buscar o mesmo valor em dinheiro. Ou seja pode ir buscar entre 1 e 6 dinheiros;
d) Activar o disco de acção das cartas, utilizando um dos dados que lançou para biscar o mesmo valor em cartas, das quais escolhe apenas uma. Ou seja se usar um dado com o número 6, o jogador bisca 6 cartas, escolha a que lhe interessa e descarta as outras cinco.
Depois de feita a última acção é a vez do adversário jogar. O jogo é muito simples e estimulante, porque permite usar os dados para várias combinações possíveis. E o jogador pode executar as suas acções pela ordem que entender. Podendo usar um dado para ir buscar cartas, depois usa outro para ir buscar dinheiro, coloca uma carta na mesa pagando o seu custo e por fim com o último dado activar a carta que acabou de jogar.
As cartas são o elemento mais importante do jogo. Existem 2 tipos de cartas: edifícios e personagens e todas têm funções diferentes. Algumas estão repetidas no baralho, outras só têm um exemplar. Existem cartas para buscar dinheiro e VP's; cartas de ataque que permitem atacar as cartas do adversário; cartas para bloquear uma possível jogada do adversário; cartas para aumentar a nossa defesa ou diminuir a defesa do adversário; cartas para construir sem pagar dinheiro; etc... As cartas, para além do seu valor de custo, têm um outro valor que corresponde à sua defesa. O forum, por exemplo, tem como valor de defesa 5. Se o adversário tiver a carta onager (que permite atacar qualquer edifício adversário) no disco de acção de dados número 4 e conseguiu lançar nos dados um 4, pode activar esta carta de ataque. Ao activá-la anuncia que edifício pretender atacar e depois lança o dado branco. Se conseguir lançar um número igual ou superior ao valor de defesa do forum (5, neste caso) esta carta é destruída e por isso descartada. Tudo muito simples.
Quando um jogador ficar sem VP's perde automaticamente o jogo. Quando se acabarem os VP's em jogo, ganha o jogador que tem mais. Critérios de desempate, segundo o que o próprio Stefan Feld escreveu num dos fóruns do BGG, são:
1) Jogador com mais dinheiro;
2) Jogador com mais cartas;
3) Perde o jogador que começou o jogo.
NOTA FINAL
ROMA é, definitivamente, um dos melhores jogos que já joguei para 2 jogadores. É rápido e intuitivo, estimulante e inteligente. Vai concerteza proporcionar muitas horas de prazer. É óptimo para se levar para uma viagem, visto que a caixa é pequena e transporta-se facilmente. No meu caso posso dizer que aproveitei para juntar à caixa do ROMA as cartas do LOST CITIES e tenho assim, num pequeno volume, dois bons jogos, ideais para quem está de férias. O jogo não é caro, por cerca de €15 pode adquirir este título, o que ainda o torna mais aliciante.
Classificação: 7
Luis Costa


3 comentário(s):
Pronto. Agora que o jogo já chegou e eu tive a oportunidade de jogar, pelo menos, cem vezes, estas férias, cá vai a minha opinião.
De facto as cartas são interessantes. Muitas soluções, bem desenhadas, mais ou menos equilibradas em termos de custo benefício. A sorte está presente, talvez, um pouco em demasia. É um jogo rápido quando aprendemos o significado das cartas e passamos a conhecer melhor as estratégias (como todos os jogos, de resto).
Aquilo que eu tenho de apontar como grande defeito do jogo, para mim, e depois das tais cem jogatinas (à vontade) é a impossibilidade (quase) de se dar a volta ao marcador. Ou seja, a primeira mão de cartas, mesmo contando com as duas do adversário, o primeiro lançamento dos dados, na minha experiência, curta em tempo mas grande em utilização, é de que é determinante para o desenrolar do jogo e, 98% das vezes, adivinha o vencedor. Dificilmente se ganha este jogo "de virada" e, portanto, a sorte aumenta, desproporcionalmente, em relação àquilo que o jogo promete.
Os primeiros jogos que joguei dei nota 7,5, os segundos trinta, 7, os últimos 40, tive de baixar para seis.
Em suma, é um jogo entretido mas deve ser encarado sem pretensões. Demasiado recorrente da sorte aos dados, e à batatada, não parece um eurogame. Também não é bem um americano de guerra, mas ficará algures, talvez na base das lajes, a meio do Oceano, entre a Europa e a América do Norte.
Paulo
É um jogo rapido que apenas quer distrair os jogadores. Também tens de confessar que, depois de jogar 100 vezes, é natural que te fartes um bocado dele.
Eu gosto muito e sempre que quero jogar um jogo a dois jogadores ( não suporto jogar mano a mano)o unico titulo que me apetece por em cima da mesa é o Roma.
PS- o vosso blog só recebe comentários de utilizadores que tenham um blog. Isso deixa muita gente de fora. Não sei se isso é propositado ou não, mas presumo que tenha sido uma distracção. Seja como for parabéns pelo blog.
Hugo, obrigado pela dica em relação aos comentários... não era propositado.
Ainda em relação ao Roma... acho que a questão não tem a ver com o facto de eu estar farto de o jogar. Acredita que hoje voltaria a apetecer-me. A questão prende-se mesmo com a quase impossibilidade de dar a volta ao jogo. Acho que é uma espécie de defeito. Se me convidares para um jogo a dois ainda é esse que eu escolho, ao contrário, por exemplo, do lost cities que, basicamente, é chato, chato, chato.
Paulo
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