Num destes dias lá íamos nós experimentar o nosso primeiro jogo de civilização. É um daqueles tipos de jogos que o pessoal até pode já ter feito no PC mas nunca um deles tinha visto uma mesa. Dá sempre a sensação, pelo menos a mim, que um jogo de evolução e expansão, no sentido em que se aplica aos jogos de civilização, resultam sempre muito melhor no computador. Apesar disso, e como o autor era o Sr. Martin Wallace, ou como é carinhosamente, embora redutoramente, tratado por aqui, o Sr. Liberté, achámos que valeria a pena correr o risco.
Apesar de termos outras opções de jogos deste género para experimentar (Antiquity, Civilization, Through the Ages) começar por um, tão badalado, light civ não era nada mal pensado. Parecia mais seguro para uma primeira abordagem de quem não está habituado a estas lides da civilização, encará-lo como non gamers à procura de começar a gostar da coisa.
A leitura das regras mostrou um jogo muito simples de entender. Tempus está dividido por épocas, marcadas por algumas das mais significativas invenções da história da humanidade (imprensa, navegação, aviação).
Por turno, cada jogador pode completar um predeterminado número de acções. Este número de acções varia conforme a época em que cada jogador estiver. Por exemplo, na época da escrita há 3 acções disponíveis para cada jogador e na época das estradas há já 4 acções disponíveis.
Outra das alterações tem que ver com as movimentações da nossa população. Se estivermos na era das estradas ou dos comboios podemos movimentar-nos mais depressa do que se estivermos na era da agricultura.
Todas as 10 eras têm alterações em relação umas às outras, quer seja em termos de movimentação da população, produção de ideias ou aglomerados habitacionais.
O jogador que, no final de cada turno, conseguir estar melhor posicionado em termos de expansão da sua civilização, passa para a época seguinte, ganhando, com isso, vantagens em relação aos seus adversários e, obviamente, aumentando as possibilidades de chegar ao final e vencer o jogo.
Poder-se-ía pensar que, havendo estas vantagens para quem segue na frente, dificilmente se conseguiria contrariar esta hegemonia. E é aqui que entra um dos mecanismos mais interessantes do jogo. Baseado na máxima que diz "as ideias correm depressa" o autor, mais uma vez de forma a colar muito bem o tema ao jogo, faz com que, no final de cada turno (era) os jogadores que estejam atrasados em relação ao jogador que vai à frente, o apanhem na era em que este está. Só depois disto acontecer é que se vai, novamente, determinar quem venceu a era que agora termina. Este mecanismo faz com que exista um equilíbrio constante, porque cada jogador pode sempre, através de uma estratégia cuidada, optar por tentar perder alguns dos avanços proporcionados por algumas eras para apostar noutras eras em que se possa sentir mais bem posicionado.
Para além disto, no final do jogo, o que conta são o número de territórios que cada civilização tem, a dimensão de cada cidade e quem chegou primeiro à era dos vôos. Ou seja, pode haver um vencedor que nunca tenha sequer passado primeiro de era para era. O facto de passar em primeiro permite ter vantagens, mas estas não têm de ser determinantes para a vitória. Obviamente ajudam, mas não são o centro do objectivo.
Tempus, não sendo básico, acaba por ser um jogo simples. Joga-se em 90 minutos, é divertido, tem algumas acções curiosas como fazer bebés e ter ideias mas, apesar de não termos muita experiência na matéria, não nos pareceu um jogo de civilização, civilização. É verdade que fazemos aumentar a nossa cor, construímos cidades, entramos em conflito mas, no essencial, fiquei com a sensação de estar a jogar um jogo expansionista, com algumas características de civilização, mas realmente light. Ou seja, acertaram no rótulo. Temos um jogo civ light.
Material: 2,5/3 Interacção: 2/3 Mecânica: 2,5/3 Tema: 2/3 Estratégia: 2,5/3 Tempo/Diversão: 2,5/3 Regras: 2/2
Classificação: 16/20
Paulo Soledade



11 comentário(s):
light grade...
maybe 10% more...
Um tipo de jogo diferente... não fazes uma civilização... mas ter putos e ideias é algo tão feminino como estimulante...
Fixe!
Estava curioso para saber o que iam achar deste. Depois de levar com o backlash de todo hype pré-publicação de ser o próximo Civilization, queria ler primeiro o que o pessoal dizia agora que as águas acalmaram. :)
O jogo está bem esgalhado. É fácil de jogar, tem estratégia suficiente para ser um jogo estimulante e não é demasiado longo. TEMPUS, concentra em si um conjunto de regras bem catitas e algumas até são bem originais, mas falta-lhe um "je ne sais quoi" que não sei explicar e que o impede de ser uma estrela maior na constelação de Wallace. Ainda assim eu do~u-lhe um 8
Soledaaaadeee !
Ó Soledaaaadeeeee !
Pirou-se o gajo...
Este tempus andou sempre vai não vai para ser comprado nas ultimas encomendas. Nunca chegou a ser e agora acho dificil.
Sofre um bocado de não ser uma obra-prima como todos esperavamos.
é um bocado como o costa diz: falta-lhe um je ne sais quoi e esse pesou sempre na balança na altura do encomendar.
Seja como for mandeiagora vir o Perikles do Wallace.
Quando é q vocês jogam a isso?
Hugo,
Acabámos de jogar Perikles pela primeira vez. O jogo é muito bom. Mas mesmo bom. Para quem gosta de PoR como tu (e eu) então é sempre uma boa aposta.
Acho até que é um bocadito melhor que o PoR (necessita de ser jogado mais vezes para confirmar isto) mas também me parece mais dificil de aprender as manhas...
Seja como fôr não é um jogo para todos gostarem porque é muito denso.
O Martin Wallace é o melhor. Sem dúvida.
Bem, lá vem um Perikles prá lista... Se é que ainda não está lá... Já está... ahhhhh!
Quanto ao Tempus, a minha sensação foi a mesma do Hugo. Interesse moderado que acabou por esfriar.
Talvez mude de opinião depois de o jogar.
"Acho até que é um bocadito melhor que o PoR..."
Esta afirmação encheu-me de contentamento. Eu acho o PoR um dos jogos mais motivantes do mercado, ora se este é melhor parece-me que vou ter o Natal mais feliz de sempre...
Fim de semana produtivo...
Adorei o Perikles... embora muito mal jogado por toda a gente, parece-me a melhor combinação de tema/mecânica(s) que conheço...
O taluva versão Vesuvio...
Os pedreiros e a super-cidade...
E o dos comboios que não me lembro do nome mas que não deixa o tigres e eufrates sozinho na lista dos melhores jogos do sr...
Venham mais destes, a repetir, muitas vezes, claramente...
Pronto. O zorg ofereceu-me o Tempus em versão alemã.
Acabou por vir cair na minha colecção.
Acho que vais gostar do jogo.
É um bom presente.
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