Não sei se por coincidência ou não, mas alguns dos blogs por onde, habitualmente, viajo, este incluído, têm colocado posts acerca de autores e criadores de jogos. Eu confesso que também me agrada aquela coisa de classificar, enquadrar, catalogar. Ajuda a descansar a alma. É que, parecendo que não, quando alguém diz, este é melhor que o outro ou, o outro é melhor que este, ajuda a que tenhamos fé nos homens e nos deixemos levar pela paz de espírito como se tudo estivesse óptimo. É mais ou menos como saber que aquele é ladrão, vai preso e ponto, este País é feito de corruptos e pronto, os tugas são Manuel têm padarias no Brasil e fogem aos impostos e à inspecção do trabalho, enfim, uma data de rótulos que nos descansam da necessidade de perspectivar tudo, criticar, absolver ou condenar. Julgar com critério.
A propósito disto vem o nosso último post. Arranjar um pedestal para o Martin Wallace é básico. O homem é bom (aparências à parte) tem uma data de jogos excelentes, todos os anos aparece com, pelo menos, uma boa criação, é original, mistura o jogo tipo europeu com o de tipo americano, um pouquinho de wargame também (só um flavourzito), carradas de inteligência, pouco charme mas muita ambição. E aqui as coisas funcionam. E o homem é, de facto, muito bom. Agora, daí a ele não ser questionado vai uma grande diferença.
Pegando por aqui, apetece-me fazer uma incursão pela classificação dos autores, Martin Wallace incluido. Ou melhor, todos incluidos. Porque esta minha opinião não se resume a este ou àquele autor mas sim à "figura do autor" - estou com os braços levantados, com as palmas das mãos voltadas para baixo, esticadas, e a esbracejar para cima e para baixo em ritmo lento.
Nesta perspectiva, do autor enquanto autor, reservo-lhe o papel de fazer jogos. Uns jogam bem, outros menos bem. É normal. O que eu exijo, e isso acontece-me sempre que jogo um jogo, é que demonstrem que, de facto, respeitam aquilo que fazem, respeitam os jogadores que o jogam. E isso não acontece quando pegamos num jogo daqueles que vocês sabem quais são, colados a outros jogos que esse mesmo autor já inventou, mudamos a caixa e a editora, temos outro título, acrescentamos um dado e retiramos um tile e temos um jogo novo. E o pessoal vai jogar aquilo e até pode gostar. Eu também gosto, às vezes. Não gosto é do autor. E o autor é, a maior parte das vezes, o Reiner Knizia. Ok. Para quem pensava que isto não era uma coisa pessoal, agora já descobriram que é. Mas a culpa não é dele, a culpa é da quantidade de jogos que ele faz. Como, a maior parte das pessoas que está a ler este texto, conhece melhor a obra de Knizia que de outro autor qualquer, escolhi-o para exemplo. Para além da quantidade de jogos que o senhor faz, há também o facto de ele se pôr a jeito. Não há jogo de Knizia que não pareça igual a outro qualquer jogo do Knizia. Perdoem-me aqueles que sabem que estou a dizer disparates mas, é esta a minha opinião.
Da percepção da obra de um autor, para além do tipo de autor que nos mostra ser, temos então, e aí sim o mais importante, a obra que ele nos deixa. E aqui vem também aquela velhinha questão. Será que um autor é a soma das partes ou deve, antes, ser um todo. Para alguns é a soma das partes, para outros será um todo. Eu acho que o facto de se fazer vários jogos, alguns bons outros menos bons, alguns maus outros excelentes, não retira o mérito de um autor que, pode até ter criado somente um jogo, mas esse jogo que ele criou chama-se Puerto Rico, para uns, para outros chama-se Hannibal, para outros, ainda, chamar-se-á Advanced Civilization. Não é importante. O resultado final de um autor enquanto autor é aquilo que ele deixa intemporal. Como o cinema, a literatura, a música. Não estamos a falar do melhor e do pior. Não vamos repetir a pergunta que nos obriga a escolher entre os Beatles e os Stones. Vamos antes perceber aquilo que cada um dos seus resultados é para cada um dos jogadores.
Para mim, Karl Heiz Schmiel (Die Macher) não precisava de ter criado mais nada e, se criou, até nem é relevante para o achar um dos génios maiores dos boardgames. E o Knizia podia ter ficado parado a partir do Tigris & Euphrates. Por esse já estaria no hall of fame. E muitos outros procuram ultrapassar-se e conseguir atingir o nirvana, conseguindo mais uma obra-prima. O problema está na quantidade de vezes que não o tentam. Claro que um dos entraves será a componente comercial, é natural, mas para mim, isto de fazer jogos e dos jogar, também tem algum peso artístico (passo a mariquice) e um bom jogo, mesmo bom jogo, não é do Knizia nem do Schmiel, nem do Seyfarth. Um bom jogo é do mundo. Tenho dito!



14 comentário(s):
Se bem percebi o objectivo é achincalhar o pessoal que acha que o Tigres e o Caylus são bons jogos... certo?
Agora a sério:
Não conheço mais que uns três, quatro autores... não percebo nada de jogos, editoras, de geeklists, do BGG, do próprio abre o jogo... ainda assim gosto muito das sextas e sábados à noite de jogos de sociedade...
Gosto de jogos, de quase todos eles, mesmo que sejam muito maus - dá sempre para praticar o poder da "dizimação" crítica...
Gosto mais de jogos, queijo, cerveja e amigos do que qualquer autor, ou editora ou assim...
"Sempre venerei os the Who, mas nunca pedi um pelo do nariz ao Pete Townshend"
Ed vedder (sobre ídolos)
Paulo,
Compreendo onde queres chegar. Mas até aí acho que o Knizia merece o nosso aplauso.
O homem poderia muito bem ficar descansadinho à sombra da sua (por muitos assim considerada) obra prima, o Tigris.
Eu que já o cheguei a detestar - mais aos jogos dele - ando agora a dar a mão à palmatória porque, sinceramente, no meio de muito tema colado com cuspe, existem Jogos com "J" grande. E não é só um ou dois.
Para já e de repente, os seguintes vêm à mente como sendo jogos referência: Tigris & Euphrates, Samurai, Ra, Through the Desert, Lord of The Rings, LoTR: Confrontation, Blue Moon City, Ingenious, Lost Cities, Modern Art, Schotten Totten, Stephenson's Rocket, Taj Mahal.
Tens razão quando dizes que em muitos parece haver algo repetido. Eu diria antes que existem, mais do que jogos repetidos (também existem desses: Ra = Razzia!), ideias ou mecânicas recorrentes ou comuns.
Se é díficil hoje em dia ter uma ideia original para um jogo, grande parte da culpa é do Reiner.
@Hugo
Eu também acho o knizia muito bom. Eu só acho que ele não devia deixar de tentar ultrapassar o T&E. A crítica a ele vai precisamente para isso. 90% dos jogos que ele faz por ano, e isso deve dar aí uns 15 milhões de jogos, são para encher chouriços. E os bolsos, claro. Mas lá que o homem é bom, lá isso ninguém duvida.
Quem me dera a mim conseguir criar o pior dos jogos dele.
Mesmo os grandes génios do cinema, depois de criarem a sua obra-prima foram produzindo filmes atrás de filmes, muitas vezes de qualidade duvidosa.
Julgar um designer por ser profícuo é romântico, quase dom quixotesco.
Concordo contigo quando dizes que muitos dos jogos dele parecem fotocopiados e que outros tantos são de qualidade inferior, mas isso não lhe tira o mérito de ser o autor do T&E, do STEPHENSON'S ROCKET ou do MODERN ART. E mesmo os jogos que parecem suceder-se da mesma linhagem, são muitas vezes falsos parentes. A verdade é que Knizia transpõe para os seus jogos uma secura temática ímpar e isso não agrada aos eurogamers mais convictos (como tu), e muito menos agrada a quem gosta de um vinho gordo e cheio de aromas. Knizia não faz desses vinhos. Knizia é um matemático (e brilhante por sinal), que racionaliza os seus jogos para além da sua componente dramática e histórica. Aquilo que interessa a Knizia é um mecanismo fluído e um sistema de pontuação inteligente. Muitas vezes isso dá origem a jogos como AMUN-RE, por exemplo. Sei que este é um título que tu particularmente não gostas muito. Mas a verdade é que há marcas do génio de Knizia neste jogo, como em muitos outros. Tens um leilão por terras que é original e que te obriga a bidar por tiles diferentes há medida que o tempo passa. Os mecanismos de pontuação do jogo são variados e obrigam a uma gestão muito equilibrada e táctica do jogo. Por entre trabalhadores, pedras, pirâmides e cartas de acção, cada jogador vai construíndo o seu caminho para a vitória. AMUN-RE é só um exemplo de um jogo, que não sendo brilhante é um bom jogo. Poderia falar de muitos mais exemplos, mas tu até conheces mais jogos dele do que eu.
Eu não sou um fã do Knizia, não sou! Mas gosto muito de vários jogos dele. Sou fã do Dorra e entretanto jogámos o SALAMANCA, e que trampica de jogo, heim!! Todos têm coisas boas e más e não creio que no caso do Knizia ele não tenha parado de fazer jogos bons e muito menos de tentar suplantar a sua obra-prima, T&E!
O gajo também deve ter os seus dias e acredito que mais tarde ou mais cedo nos vai voltar a surpreender com uma nova obra-prima, é que afinal de contas... estamos a falar do Reiner Knizia!
@costa
Concordo contigo nalgumas coisas. Essa sim é uma carta de amor. A analogia ao cinema, que eu fiz, não era para falar de cineastas e sim de filmes. Assim como a música não era para escolher entre Beatles e Stones. O produto final é que interessa. O produto final é que é a obra, o legado.
Não me preocupa acharem que o Knizia é brilhante e que tenta fazer coisas que possam superar o T&E. Até eu acredito nisso. Mas acredito mais que ele não faz isso assim tantas vezes como deveria. Se calhar a opção também não é dele, é mais do mercado, ainda assim, como não estou a tentar pessoalizar (como se usa a dizer :)), simplesmente abdico da convicção de que são todos iguais e nenhum deles acha que vai fazer o seu melhor jogo em detrimento do prémio monetário. Era assim que eu gostava de conseguir ser.
O teu agrado por Dorra, mais que um capricho, deve vir de uma convicção forte de que o homem é capaz de fazer alguma coisa, realmente, muito boa. Eu às vezes também encanito positivamente com um tipo qualquer. E não sei bem porquê! Se calhar, no caso do Knizia, encanitei negativamente. Talvez a culpa seja dele. Dei-lhe confiança a mais quando achava que "se é do Knizia é bom". Ele não respeitou isso e eu não lhe perdôo! Acho que, no fundo, acredito que ele é demasiado brilhante para produzir coisas demasiado más. Devia aproveitar melhor o dom que tem. Enfim, chama-lhe (chamem-lhe) o que quiserem!
Só quero acrescentar que um dos maiores entraves à criatividade é já se ter criado algo reconhecidamente extraordinário.
Se calhar, o maior enimigo do Knizia é ele próprio.
Eu não creio que ele (RK) ande a: a) tentar fazer melhor que o T&E; b) Inventar jogos apenas pelo $$$.
Nem todos são excelentes, mas todos deverão ter o seu propósito.
Eu tenho um carinho especial pelos autores e ando sempre a ver o que eles lançam no mercado. Tal como no Cinema, vou mais pelo realizador que pela história, actores ou critica.
Seja como for o Knizia perde-se muito. Fez coisas boas sim senhor, mas ultimamente anda fraco e parece que não consegue chegar ao brilhantismo de tempos passados, faz-me lembrar o Manoel de Oliveira.
Por outro lado o Wallace está sempre em forma, até parece o Scorcese. A analogia não é desprendida de razão, a dificuldade que têm em ganhar prémios é identica.
O Kramer, enfim, não faz jogos maus, mas o El Grande é o El grande e vai-se mantendo. Diria que é o Robert Altman.
O Karl Heiz Schmiel teve um golpe de génio e como diz o Paulo, basta. Diria que me faz lembrar Danny Boyle com o seu Trainspotting.
Quem anda para aí em grande estilo é o Richard Borg que com os seus Memoir, C&C e Battlelore mais parece a Tarantino.
Gostei da analogia. E também é por isso que falo mal do Knizia. Porque escolhia os jogos dele (ou filmes se preferires) por serem dele (pelo realizador). E ele aborreceu-me demasiado para voltar a ir, assim sem mais nem menos, ao cinema, por ele. Mas continuo sempre a ir ao cinema. Mas pelos outros.
O Wallace é, claramente, o Scorcese. Boa!
Ainda assim prefiro o Boyle do Shallow Grave e acho que o Schmiel do Die Macher está para os jogos como o Orson Welles do Citizen Kane está para o cinema - incontornável.
Rosebud...
Eu discordo de quase tudo o que aqui se diz. :)
Não acho que o Knizia esteja "fora de forma", nem sequer acho que ultimamente a qualidade dos seus jogos tenha diminuído. O Blue Moon City, por exemplo, que é considerado um bom jogo quase unanimemente e que muito boa gente acha que devia ter ganho o SdJ do ano passado em vez do TuT, é um jogo de 2006! Simplesmente o output do Knizia é tão extraordinário, quer em termos de número, quer em termos de variedade, que é impossível que todos os seus jogos sejam apreciados por toda a gente! E também não acho que o E&T, que é um jogo que eu aprecio muito, seja A obra prima nunca repetida. Pelo contrário, acho qeu uma das coisas mais extraordinárias no Dr. é o número anormalmente alto de "obras-primas irrepetiveis", que ele vai colocando cá fora, ano após ano. Taj Mahal, Modern Art, Ra, Through the desert, Blue Moon, Blue Moon City, Samurai, Lost Cities, Schotten Totten/Battle Line, Ingenious, LoTR, LoTR: The confrontation, Traumfabrik, Medici... tudo isto são jogos de primeira água, superiores às obras-primas irrepetíveis de outros criadores. Agora, como é evidente, são jogos diferentes, direccionados a públicos diferentes, pelo que é perfeitamente normal que um gajo que adora o E&T ou o Taj Mahal, que são jogos pesados e intensos, não tenha o mesmo amor pelo Lost Cities ou o Schotten Totten, que são direccionados a públicos completamente distintos... mas isso não faz dos primeiros melhores jogos que os segundos!
E nenhum outro criador que eu conheça consegue sequer aproximar-se do Knizia, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade, quer em termos de variedade de estilos, mecanismos, etc.
E em relação ao Wallace - e peço desculpa antecipadamente pelo sacrilégio, porque sei que vocês são fãs - eu não o considero um criador de primeira água. Para já, porque publica pouco (1/2 jogos por ano) e depois porque muitos dos seus jogos são mal desenvolvidos e desequilibrados, apesar de normalmente conterem boas ideias. A excepção é talvez o Age of Steam e há até quem diga que isso se deve em grande parte ao trabalho de desenvolvimento feito pela Winsome, que não está presente noutros dos seus títulos mais "abrutalhados".
Jogos como o Struggle of Empires, o Princes of the Renaissance, o próprio Byzantium, apesar de terem algumas boas ideias (e eu agosto batante dos 2 últimos), são vítimas da sua própria falta de desenvolvimento. Ironicamente, um dos jogos que aparentemente mais trabalho de desenvolvimento sofreu (e por isso se atrasou brutalmente a sua publicação), o tempus, é um bocado sensaborão e pouco entusiasmante.
Ah, e já agora, o Karl Heinz Schmiel não é um one hit wonder, de todo! Para além do Die Macher - que também tem os seus defeitos - é também o autor do Extrablatt (um jogo sobre a publicação de um jornal que, ao que consta, é muito bom, mas também é muito difícil de encontrar), do Tyranno Ex (um jogo sobre dinossauros em luta, cheio de ideias engraçadas), do Attila (sobre o simpático carniceiro huno) e uma série de jogos de cartas, cujo mais famoso será talvez o Was Sticht, um verdadeiro brain burner com cartas.
@zorg
Acho que ninguém percebeu bem o que eu quis dizer com este texto. Não me devo ter explicado muito bem...
-Eu também acho o Knizia brilhante
-Eu também acho que ele fez mais coisas muito boas para além de T&E. Embora ache, este, o seu melhor jogo.
-Eu também acho os jogos do Wallace pouco polidos (acho que já falámos disso antes) e algo desequilibrados.
- Também sei que o Sr. Schmiel fez coisas para além do Die Macher. Só disse que não era preciso.
Isto é uma coisa.
Outra coisa
-O Knizia fez um jogo que se chama Ra e fez um jogo que se chama Razzia.
-O Knizia fez o Modern Art (portentoso) Medici (portentoso) e Palazzo (merdoso) - todos na mesma linha embora alguns puristas possam dizer o contrário.
A minha tese é a seguinte: Embora o Knizia seja um homem brilhante, publica que nem um doido, faz coisas excelentes, algumas delas recentíssimas, como tu disseste, é, muitas vezes, um vendido. E é um vendido, dou-lhe o benefício da dúvida, por causa do mercado e dos patrões ou whatever. Mas é um vendido. Ninguém me consegue convencer que ele achava o Palazzo ou Razzia jogos suficientemente bons ou originais para serem publicados.
E daqui resultam duas coisas:
1-vou continuar a comprar jogos do Knizia porque ele é bom.
2-não vou continuar a comprar jogos do Knizia só porque ele é o Knizia.
Não sei se faço sentido...
"Não sei se faço sentido..."
Normalmente não fazes... mas agora nem te saiste muito mal ;)
Quanto à questão dos autores... Não me pronuncio ;)
#soledade
A minha resposta não era só ao teu post, mas também aos comentários em geral que aqui foram colocados. Tu explicaste-te muito bem, como é hábito. :)
Em relação ao Ra/Razzia, não foi o Knizia que resolveu fazer outro jogo, mas sim um editor que, na altura em que o Ra estava out of print e era uma espécie de holy grail dos jogos que toda a gente procurava no ebay e alguns adquiriam por quantias pouco menores do que os orçamentos de estado de alguns países do terceiro mundo, resolveu fazer uma edição com outro tema, mais acessível, e com uma ligeira alteração de regras (se calhar para evitar aranhadas legais) e mais adaptada à sua linha (a amigo é especialista em jogos de cartas relativamente complexos). Ou seja, não foi o Knizia que apareceu nas feiras todo pimpão, de peito inchado, a dizer que tinha um jogo novo para publicar e depois lhes espetou com o razzia na tromba, quando os ingénuos editores lhe pediram para experimentar e eventualmente publicar, com o objectivo de tentar fazer mais uns cobres à conta do ra. Para além disso, esta história de reeditar jogos com outro tema e ligeiras alterações às regras não é nova, nem é um exclusivo do Knizia. O Alhambra, por exemplo, é uma reedição com outro tema e ligeiras alterações do Stimmt So!, o Atlantic Star é uma nova versão do Showmanager, ou o recém publicado Serengetti é uma reedição de já não sei que jogo.
Em relação à comparação entre Medici, Modern Art e Palazzo, também não concordo muito. Dizer que o Palazzo é merdoso, implica que o jogo não funciona, ou que não cumpre os objectivos a que se propõe, quando me parece (pelas críticas, porque nunca o joguei) que o teu problema com ele é que é um jogo que não encaixa no estilo de jogos que tu gostas. Dou-te um exemplo: eu não gosto de jogar T2R. Acho monótono, chato e, se puder evitar, prefiro sempre jogar outra coisa. No entanto reconheço que o jogo cumpre os objectivos a que se propõe e que há imensa gente a divertir-se imenso com o jogo. Ou seja, eu não acho que o Alan Moon seja culpado de nada a não ser ter tido uma boa ideia e ter publicado um bom jogo, ou uma boa série de jogos, a partir dela que, infelizmente para mim, não me preenche as medidas. Para mim um jogo mau, é um que não funciona. Por exemplo, o Monopólio, para usar um exemplo recorrente, é um caso típico: não há estratégia, é completamente dependente da sorte e, na maioria das vezes, é interminável. Isso não me parece que suceda com o Palazzo, pelo menos a acreditar no feedback do bgg. Agora quer isto dizer que eu vou a correr comprar o Palazzo? Não, porque à partida não encaixa num género que eu normalmente goste e porque até comprei recentemente o Alhambra (por causa da Maria) que me parece que preenche o mesmo nicho.
Eu também não recomendo que compres jogos do Knizia, só porque ele é o Knizia. A minha recomendação é que uses com o Knizia o mesmo critério que usas com os outros jogos: olha, cheira, prova se puderes e só depois, se estiver tudo nos conformes, avança para a contratação. ;)
@zorg
É por aí. Eu quando falo do Knizia falo de todos os que fazem o mesmo. Acho o Moon um bom exemplo. Aproveita um filão, copy paste e já está. O critério é o mesmo.
Já em relação aos jogos serem maus porque para mim são maus é um bocado isso. Não digo que não. Mas tento perceber se este ou aquele jogo foi feito com "carinho" ou se foi feito para engordar a conta. E acho que com o Knizia (estendo o exemplo ao Moon) passa-se isso. No caso do Knizia é mais recorrente porque ele publica muito. Mas não é uma originalidade dele.
Só acho que não devia ser assim. Voltando ao Wallace, não me parece que seja um tipo desse género. Nem o Schmiel e, se calhar, nem o Faidutti, por exemplo. Mas, se calhar, só não são assim, porque não podem...
O Wallace também tem vários exemplos, se calhar ainda mais flagrantes: RRT, Age of Steam, Age of Steam II e RRT II parece-me que serão basicamente o mesmo jogo com alguns tweaks (ainda estou para ver quais as diferenças entre RRT, RRT2 e Age of Steam 2), ou o caso do Struggle of Empires e do Conquest of the Empire II, que também são basicamente o mesmo jogo com algumas modificaçõezinhas de pormenor e um novo tema.
Mas volto a dizer: eu não acho isso errado. Se há um conceito que funciona e de que as pessoas gostam, qual é o problema em explorar as várias hipóteses? Até porque ao conceito original podem ir sendo adicionadas novas ideias que o melhorem (o T2R é um exemplo acabado disso). Não vejo nisso uma tentativa mais ou menos descarada e censurável do criador do jogo tentar fazer mais uns cobres.
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