06/01/2008

Top 10 - Mês de Dezembro

Terminado o ano, chega mais um balanço. Todos o fazem, e este blog não quer ficar atrás de ninguém.

Assim, e fazendo uma revisita a todos os Tops do ano, entradas, saídas e a jogos experimentados, ficamos com a sensação que este ano não existiram grandes títulos.

Mas, como diz a sabedoria popular, há sempre uma excepção que confirma a regra, e neste caso a excepção dá pelo nome de Brass. Mais um jogo lançado pelo grande Martin Wallace. O facto de nos últimos 15 dias o jogo ter sido jogado 8 vezes diz muito sobre o jogo. O jogo é talvez o segundo mais jogado entre nós, sendo que chegou à mesa pela primeira vez há menos de 2 meses. Será esta a pérola de 2007? Lá para Junho descobriremos ;)


Assim, o Top de Dezembro apresenta os seguintes jogos:

1 - Liberté
2 - Brass
3 - Age of Steam
4 - Indonesia
5 - Power Grid
6 - Imperial
7 - Shogun
8 - Antike
9 - Tigris & Euphrates
10 - Die Macher

O facto do jogo estar já em 2º lugar no nosso Top e de ameaçar seriamente o Liberté, coisa que nenhum jogo teve a ousadia de fazer, faz com que este seja talvez o mais sério candidato a ocupar pela primeira vez o 1º lugar além do jogo da revolução francesa.

Analisando o Top mais em detalhe, vemos que os 3 primeiros lugares são ocupados por jogos do Martin Wallace. Este é claramente o nosso designer favorito e que ano após ano nos surpreende com mais um jogo brilhante. Claro que tem os seus annus horribilis, como qualquer um, mas nenhum outro consegue lançar assim um jogo, que apesar de demorar apenas 2 horas, consegue ser tão denso, ter interacção entre os magnatas da revolução industrial, no fundo, prender os jogadores de tal maneira, que as 2 horas passam sem se dar por isso, sem esquecer que no final a varanda é sempre o local onde estamos mais uma hora a discutir as tomadas de decisões, o que nos motivou a fazer uma coisa ao invés de outra, e o que os outros nos obrigaram a fazer. Os outros 2 jogos dispensam apresentações. O Age of Steam é um clássico e o Liberté, que apesar de não colher fora de Leiria grandes fãs, é um jogo que com o grupo certo chega a ser mítico.

O resto do Top é ocupado por mais algumas pérolas. Imperial e Antike, do Mac Gerdts, que recordo, estará connosco na LeiriaCon, são também já velhos conhecidos do Top. Talvez no encontro de Leiria ele nos consiga fazer ver a luz de Hamburgum, jogo que não nos encantou tanto como os seus dois “irmãos” mais velhos.

Indónesia, Power Grid, Shogun e Tigris são os outros clássicos que ocupam posição relevante nas nossas preferências.

A realçar há também a reentrada do Die Macher no Top. Este não entra por que tenha havido uma alteração na sua votação ou posição, mas devido à maior diversidade de votos, que trazem jogos menos recentes para uma posição superior.


Voltando ao balanço do ano, temos que referir que não foi apenas o Brass que nos encheu as medidas. Jogos como 1960, League of Six e Age of Empires III fizeram também as nossas delícias, mas estes ainda não atingiram entre nós uma posição que lhes permitisse suplantar os já referidos clássicos. Vamos ver o que os próximos meses ditam em relação a novidades.

Um excelente 2008 para todos vós, e com MUITOS jogos ;)

17 comentário(s):

Unknown disse...

UPA HURRA HEY YUPI !!!!
Mil saltos de felicidade !
Mil vénias perante este top !
Finalmente !
"O" TOP !

O Brass é um jogo do #aralho !

Viva !

soledade disse...

Apesar deste ser um blog familiar, de vez em quando, também nos são permitidos alguns excessos e, o Brass, é mesmo um jogo "puta da loucura".

Não me lembro da última vez, ignorando o já famoso e inefável Liberté, em que me apetecesse jogar um jogo, imediatamente após jogá-lo! Ou seja, dois seguidos!!!

Isso é demostrativo daquilo que este Brass veio fazer por mim.

Quanto às experiências deste mês (e foram muitas) o League of Six é um jogo que eu destaco. Gosto dele.

O Shogun, talvez por ter estado tanto tempo sem o jogar, fui ultrapassado pela inexperiência e desinteressei-me um bocado. Diria que, desta vez, não desgostei do jogo mas desgostei da experiência de o jogar.

A descoberta do Mr. Jack também foi curiosa.

O Age of Steam tem de ser jogado para se rotinarem os jogadores e o Hamburgum merece a tal repetição com o conhecimento dos poderes da catedral.

PS

BrainStorm disse...

Só o Die Macher é que não está no meu Top... tenho que refazer bem estas contas.... assim não pode ser :P

Este Top está muito porreiro... e o Brass é mesmo um jogo do CATANO.

Agora só nos falta mesmo experimentar pelo Agricola... a ver se é tão bom como dizem ;)

Bruno Valério disse...

Bom TOP, excelente TOP diria mesmo.

Esse Liberté é que já está no 1ª lugar à demasiado tempo não?

Brass é mesmo bom, mesmo mesmo mesmo.

zorg disse...

Correndo o risco de parecer repetitivo, também não posso deixar de sublinhar a grande surpresa que foi para mim este Brass. Os últimos wallaces tinham-me deixado de pé atrás e estava convencido que o homem tinha perdido o seu mojo... mas afinal não: este jogo é muito inspirado.

Em relação aos vossos outros destaques, estamos mais ou menos de acordo, com duas excepções: o AOEIII e o 1960.

Achei o AOEIII um jogo "só" razoável, com os piores componentes da história no que a usabilidade diz respeito, que sofreu de hype a mais quando foi lançado e que, para mim, tem um mecanismo perfeitamente desajustado e que pode decidir o jogo (as descobertas).

O 1960, que foi uma desilusão, não por ser mau, mas por estar à espera de uma obra-prima do calibre do TS. Na minha opinião, claro, o 1960 é apenas "bonzinho" (dei-lhe 7, no BGG). :)

Ah, ia-me esquecendo, não concordo de todo que 2007 tenha sido um ano sem grandes títulos, antes pelo contrário e vice versa!

Qualquer um destes é, para mim, um grande jogo que, em condições normais, seria o "jogo do ano", sem hesitações: Brass, Race for the galaxy, Phoenicia, Notre Dame... e, provavelmente, estou-me a esquecer de algum. Por o ano ter sido tão bom, é que é difícil decidir. :)

Unknown disse...

Brass, sem dúvida é o jogo do ano. AoE3 tb é um dos meu preferidos. Entrou tb no meu top o Cuba, que apesar de vocês não terem gostado muito do jogo. é um jogo que melhora sempre que vai à mesa. A profundidade e desafio que atinge quando é jogado por 5 jogadores é estrondosa.

Deem-lhe mais uma oportunidade e vão ver que não se arrependem.

O resto do top é quase tão bom como o da rede. O único jogo que ai está à tempo de mais e que calculo que esteja lá mais por habito do que outra coisa é o liberté. Hora de mudar que suba o brass.

Costa disse...

São todos bons jogos. Jogos que eu também gosto muito, uns mais que outros é certo, mas são todos jogos de grande qualidade.

Só temho pena é de não ver neste top o meu nº 1 - CAYLUS!

...azarito...

soledade disse...

@valério
o liberté é um grande jogo, intemporal. Não é um joguito qualquer que o derruba... mas se houver algum, daqueles que entram na categoria "jogo sempre", "sugiro sempre", "jogo excelente", esse, seria o Brass.

@zorg
O 1960 já "falámos" disso. A maior parte das pessoas prefere o TS eu não. Pode ser embirração mas eu acho que não. É que eu até tenho imaginado que o TS chegou depois do 1960 e, sendo assim, acho que mais alguns iriam preferi-lo. Mas é tudo uma questão de gostos, dois jogos excelentes.

O AoE pode ter um problema com os componentes que são, é verdade, algo bacocos. Mas o jogo é bom. Algum desequilíbrio nos edifícios pode trazer o factor sorte muito aumentado mas só a experiência (que ainda não tenho) dirá.

Quanto ao Brass tenho também de ser redundante: é um jogo do catano e mais outros adjectivos que se lhe queiram meter.

@vital
O Cuba não colheu adeptos fervorosos. Eu gostei do jogo mas não o achei muito tchan. O resto da tribo (excepto o Costa) até nem gostaram mesmo.

abraços
PS

Unknown disse...

@soledade
O cuba é daqueles jogos que se aprende a gostar. O primeiro jogo também não me atraiu por aí além, mas à medida que foi caindo na mesa (e já foram 5 vezes) fui percebendo que existe muito mais qdo que descobrimos na primeira joga. A estratégia é de medio prazo e as ultimas jogadas são cruciais. As leius que de principio não pareciam ter grande influência no jogo, nas últimas partidas demonstraram-se cruciais parao resultado final. O jogo a 5 ganha profundidade e é mais desafiante do que a maioria dos que joguei em 2007. Experimentem mais uma joga e de preferencia com 5, olhem que eu não vos engano com essas coisas. :)

zorg disse...

#soledade

Para mim a questão não é preferir o TS, é a valia do 1960 em si. Se não houvesse TS, o 1960 continuaria a ser "apenas" um jogo bonzinho, com algumas coisas bem pensadas e implementadas, mas outras chatas e repetitivas. Eu comecei por lhe dar um 8 que após 5 sessões se transformou num 7. E a tendência não é para subir. Mas claro, isto é a *minha* apreciação do jogo, que não é melhor do que a de outra pessoa qualquer. Como dizia o outro, as opiniões são como as vaginas: cada um tem a sua e quando quer dá-la, dá-la! :)

Em relação ao AOEIII acho que o jogo tem muitas coisas positivas, tem os tais problemas de componentes de que já falámos, mas, acima de tudo, tem, na minha opinião, uma mecânica completamente falhada, as descobertas, que estraga tudo. Um jogo em que um jogador pode gastar 3 recursos por jogada (neste caso colonos) e ganhar dinheiro e pontos em barda e outro gastar 5 e não ganhar absolutamente nada, exclusivamente por culpa da sorte, é muito difícil de engolir. Ainda para mais quando esta acção das descobertas vai ocorrer um número reduzido de vezes ao longo do jogo (eu diria que menos do que 5 por jogador), o que impede que os azares se acabem por equilibrar.

E é uma pena porque, como já disse, o jogo tem outras coisas muito boas. Mas estragar um bom sistema com uma mecânica desajustada é a imagem de marca do Glenn Drover. Já tinha feito o mesmo no Age of Mithology.

soledade disse...

@vital
vou ter de convencer muita gente a repetir o Cuba! :P

@zorg
Pois o AoE também tem isso das descobertas que é muito irritante. Mas é temático. Há pessoas que não se importam de ceder à sorte em favor do tema, outros importam. Eu confesso que em alguns jogos isso me irrita mais que noutros. Por exemplo, num jogo fabuloso como o Here I Stand eu perdi, com um lançamento de dados do Brainstorm 6 tropas (sem resposta possível!), o equivalente a 12 OP's porque ele lançou 7 dados e sacou 6 hits!!! Isto não pode (deve) acontecer num jogo de 8 horas em que 12 OP's equivalem a 1 hora de jogo mas num jogo como AoE sou mais paciente.
Também jogámos o Conquest of Paradise, que é um jogo que fala de descobertas onde o tema é mesmo isso, a sorte de navegares e descobrires... Mas temos de saber, à partida, que tipo de risco corremos e que tipo de jogo estamos a jogar.

PS

zorg disse...

#soledade

O problema não é a sorte em si, mas sim o contexto em que é usada e a importância que cada acção dependente da sorte tem no desenrolar do jogo.

O problema da mecânica das descobertas no AOEIII é não haver absolutamente nada que dê indicação do risco que se está a correr, o reduzido número de vezes que a acção ocorre ao longo do jogo e as consequências brutais que uma jogada de "azar" tem.

Para dar um exemplo familiar: falhar um golpe de estado no TS não é um game breaker, porque acontecem dezenas durante o jogo e, por isso, no final a tendência é que as coisas se equilibrem. Para além disso, cada golpe de estado por si só tem consequências reduzidas no desenrolar do jogo, por isso falhar 1 não é dramático. Por último, os jogadores sabem à partida quais as probabilidades que têm de ser bem sucedidos.

Nada disto acontece no AOEIII: há poucas acções de descoberta durante o jogo, é impossível calcular a probabilidade de sucesso em cada uma delas e a diferença entre falhar e acertar pode decidir o jogo. Imagina o caso em que 1 jogador faz 3 acções de descoberta com 3 colonos e é bem sucedido e outro que faz duas, com 5 colonos em cada uma, e é mal sucedido... já viste a diferença em pontos e em dinheiro que isto pode significar? E é um cenário perfeitamente possível de acontecer.

Para além de tudo isto, eu não acho que seja particularmente temático, porque, se bem me recordo, todas as regiões do novo mundo têm de ser descobertas primeiro, não é? Eu acharia temático, se a *primeira* acção de descoberta fosse assim, mas as subsequentes fossem muito menos arriscadas. É que descobrir a Argentina depois do Brasil já ter sido descoberto, parece-me muito menos arriscado do que antes...

soledade disse...

Sim. Eu percebo isso que queres dizer. Em alguns jogos a sorte é mais contornável que noutros mas a escolha de os penalizar ou não, por isso, há-de depender muito, na minha opinião, se tu gostas do jogo como um todo ou não. Por exemplo, o Catan tem aquela coisa dos números e das probabilidades deles saírem e tudo isso. Eu sei que um 8 ou 6 saem mais que um 12. Então escolho, por estratégia, optar pelo tile de 8 ou 6. Mas estou 4, 5, 10 lançamentos sem ver um desses números e a minha cidade não produziu. Isto é azar, não temático, incontornável. No caso do Settlers isso resolve jogos! A diferença de alguns para este é que gostas de um e não de outro.

Isso acontece comigo e vejo-me a perdoar jogos seguindo alguns critérios que, noutros casos, já não perdoo. Porque embirro, porque não fazem parte dos meus gostos especiais.

Eu também sei que é contornável a sorte do Yspahan ou do Notre Dame ou do Liberté mas, neste último caso, por exemplo, em dias de azar, é quase impossível ganhar o jogo ( a trabalhar sozinho, pelo menos). A questão é que o meu critério para o penalizar com o excesso de sorte é diferente do que eu uso em outros jogos.

Agora, concordo contigo que existe esse desequilíbrio de sorte no AoE sobretudo quando a sorte dá, ou pode dar, uma percentagem de pontos tão importante.

Em relação ao tema, de facto, descobrir a Argentina depois do Brasil não deveria ter tanta surpresa e não deveria ser tão imprevisível. Mas a base temática é aceitável, ainda assim. Eu também acho que seguindo esse critério das descobertas pela precedência daria um melhor jogo. Fidlly rules, como alguns diriam, mas às vezes, necessárias. :)

PS

zorg disse...

>Então escolho, por estratégia, optar pelo tile de 8 ou 6. Mas estou 4, 5, 10 lançamentos sem ver um desses números e a minha cidade não produziu. Isto é azar, não temático, incontornável.
-
Sim, mas o Catan permite manipular a sorte. Por exemplo, é quase sempre melhor ideia distribuir as aldeias e as cidades por um leque grande de números, do que concentrar tudo nos melhores, porque é melhor estar constantemente a receber poucos recursos, do que receber uma quantidade grande de recursos menos vezes. Claro que, no limite, se tiveres todos os números menos o 2 e o 12 e só sair 2 e 12 no dado, não há nada a fazer. Mas, na minha experiência (e, neste jogo em particular, ela é muito vasta :) ), em 90% dos jogos uma escolha acertada das localizações é meio caminho andado para ganhar.

No AOEIII não é assim. Tu não podes fazer absolutamente nada para contrariar a sorte. Para além de que as consequências de ficar sem descobrir uma ronda são muito mais dramáticas em termos de jogo, do que não ficar uma ronda sem produzir no catan.

É a conjunção dos factores peso no desenrolar do jogo que as descobertas têm + impossibilidade de combater a sorte e/ou calcular as probabilidades em jogo, que torna a mecânica do AOEIII desajustada, na minha opinião.

soledade disse...

Eu percebo o que queres dizer mas, ainda assim, acho que somos mais benevolentes e simpáticos com os jogos que mais gostamos. No Setllers podes contornar a sorte mas não de uma forma tão diferente de outros que, na minha opinião, são igualmente aleatórios e na mesma medida, incontornáveis. Acho mesmo que é mais uma questão de sermos mais simpáticos para uns que para outros.

Mas uma coisa é indesmentível e factual: o AoE sofre desse problema.

PS

Unknown disse...

forma mais simples de resolver o problema é jogar com o jogo aberto. Assim deixa de ser a sorte a decidir e passa a ser uma corrida à conquista das terras. Eu pessoalmente gosto do jogo como está. Até porque é muito dificil alguém ir Aàs descobertas duas vezes de seguida com apenas 3 colonos. Acho que ninguém faz isso a não ser que seja a última jogada. E a diferença de pontos que traz não é assim tão grande e decisiva. Lermbro-me de ter ganho jogos sem ter feito mais de uma descoberta.

No nosso grupo Bruno tb embirra com o jogo.

soledade disse...

@Vital
Eu também não achei as descobertas assim tão determinantes, no final do jogo. São importantes mas não determinantes. O problema é que não joguei vezes suficientes para ter mesmo uma opinião formada sobre isso. Achei sim os edifícios desequilibrados e, quando és o primeiro a jogar podes ter a sorte de um óptimo display e de um péssimo display e, isso, é incontornável.

Quanto à forma de jogar com as descobertas descobertas parece ser uma boa house rule para quem desconfia da sorte.

PS

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