10/03/2008

Boomtown Shanghai, pre (pre) review!

Ainda não há muito tempo o spielportugal teve a oportunidade de experimentar aquele que, presume-se, venha a ser a próxima realização de Mac Gerdts. Foi numa sexta-feira recente e valeu a pena.
Fazer um protótipo a partir de uns ficheiros não é fácil mas, como já somos "putas sabidas" e temos por aqui muita tralha usável, resolvemos pôr mãos à obra e fazer uma coisa mais digna. Tinha-se de conseguir uns prédios de andares diferentes onde, no topo, de conseguissem colocar marcadores dos jogadores para serem identificáveis. Lá estavam preparados os andares do Torres.
Os tokens, esses, foram gentilmente oferecidos pelo próprio Mac Gerdts aquando da sua passagem pela "mui gentil e bonita cidade de Leiria". Aliás, para além dos tokens ele deixou também barcos e templos e as cartas do Antike. Portanto, se alguém quiser um Antike e estiver interessado em imprimir o tabuleiro, o resto temos nós!
O tabuleiro (folha) foi imprimido em A3, para dar um tamanhinho mais razoável, e as notas eram do Power Grid. Precisava-se de dinheiro e, tomara que fosse sempre assim tão fácil, assaltámos o Power Grid. Plexiglass em cima da folha A3 e estava tudo preparado para o evento.
Shanghai
O tema prende-se com a construção de arranha-céus copiando aquele que é, provavelmente, o maior crescimento de betão da actualidade, o da cidade de Xangai. Nós, os jogadores, somos investidores imobiliários, tipo donos da Remax, que tentam fazer tudo do mais alto que conseguirmos. Portanto, o jogo não é "sobre o comprido" mas sim, "a subir até lá acima". Quem, no final do jogo, tiver mais andares construídos, é o vencedor.
Este é um card game, portanto, sem rondel. Novidade principal, Mac Gerdts com um jogo sem rondel. Ao contrário do que acontece com o rondel, este jogo será mais "linear" porque segue uma linha de acções que são completadas, por ordem, durante o turno de cada jogador. Primeiro joga-se uma carta, seleccionando uma área, depois, recebe-se rendimentos, "investe-se" em corrupção, compra-se um terreno, constrói-se edifício, destrói-se edifício, move-se escritório. Simples!
Shanghai no Outono, a caminhar para o Inverno!
A cidade está dividida em 20 parcelas de terreno, todas elas, vendáveis. As cartas, três cartas para cada parcela, são o motor do jogo. Quando nós escolhemos jogar uma carta podemos activar a parcela de terreno que está nessa carta bem como todas as suas vizinhas OU activar todas as parcelas de terreno da mesma cor dessa carta. Esta decisão vai determinar quais são as regiões activas para o restante do turno.
Depois das regiões estarem activadas, os jogadores recebem, se tiverem construções nessas regiões, dinheiro por cada andar que lá tenham, o jogador activo pode comprar uma dessas parcelas e depois, na fase de construção, todos os jogadores podem construir e demolir. Ou seja, a escolha das regiões activadas pelo jogador activo tem essa característica interessante de influenciar muito todos os outros jogadores porque, com a excepção de subornar a câmara de Xangai, comprar terreno e mover o seu escritório principal, todas as outras acções também são feitas pelos outros jogadores.
A compra de parcelas tem de ser feita só em sítios que estejam vazios, sem construção, ou então, caso não existam parcelas vazias, essa compra pode ser feita a um qualquer jogador que seja o dono da parcela em causa desde que se cumpram 3 condições: essa parcela tem que ter a construção mais baixa de todas as parcelas activadas, o jogador comprador, portanto, activo, tem de ter mais corrupção que aquela a quem vai ser comprado terreno e não pode estar no terreno pretendido o escritório principal de nenhum jogador.
Esta componente do jogo dá-lhe alguma maior interacção e grau de linxanço, porque permite permutas de prédios que, feitas na parte final do jogo, podem ser fundamentais para apurar o vencedor.
O investimento na corrupção da cidade, também no final do jogo, é um elemento fundamental para nos precavermos desses desgostos e twists manhosos porque, como disse anteriormente, só perdemos um edifício caso o comprador tenha um grau de corrupção superior ao nosso.
Por outro lado, perder um edifício, desde que não seja no final do jogo, pode ser uma coisa boa porque o dinheiro que o adversário paga vai directamente para o dono do edifício e não para o banco, podendo originar importante liquidez que pode servir para aplicar numa construção posterior.
A fase de construção é a fase mais interessante do jogo. A construção só pode ser feita num sítio que esteja vazio. Ou seja, não se pode aumentar um edifício. Ele tem de ser destruído primeiro e só depois construído mais alto. Construir pode ser feito por todos os jogadores, desde que numa região activada. O tamanho dessa construção está dependente do número de pontos que o jogador consegue ter à volta do sítio onde quer construir.
Cada andar vizinho à região onde se pretende construir vale um ponto e, cada prédio do jogador que está a construir, vale mais um ponto adicional. Depois, tudo isto está interligado com uma tabela de custos inerentes à construção: Um prédio de 2 andares tem de ter 3 pontos adjacentes, um de 3 tem de ter um factor de 7, um de 4 precisa de 12 e, para poder ser construído um prédio de 5 andares, tem de haver na vizinhança, 18 pontos.
Panorâmica da cidade
Este mecanismo faz com que todos os jogadores precisem de todos para que se consiga construir mais alto. Ou seja, a cidade vai sendo construída de forma uniforme porque não há muitas hipóteses de se construir um prédio alto, isoladamente. Isto faz também com que os terrenos do centro da cidade, aqueles que têm mais vizinhança, sejam os mais cobiçados.
O jogo tem ainda a opção de ser jogado em leilão. Ou seja, a variante de leilão, ao invés de dar a venda do terreno, automaticamente ao jogador activo, este escolhe um terreno legal a ser leiloado e o leilão evolui por forma a que qualquer um, desde que tenha o dinheiro para isso, compre o terreno. Esta variante faz o jogo mais interessante e mais disputado mas, como qualquer jogo que inclua leilão, mais demorado também.
Shanghai, o jogo, termina quando as 60 cartas forem jogadas. Ou seja, todos os jogadores têm o mesmo número de acções e o jogo não deve demorar mais de 90 a 120 minutos. No limite, com negociação em vez de compra automática, pode demorar mais 30 minutos.
A apreciação global do jogo pelo jogo, porque não se pode apreciar a produção, os componentes e tudo isso, resulta muito positiva, com uns melhoramentos aqui e ali, sobretudo na forma como se pode e deve tornar a corrupção em algo mais usável, útil, no início do jogo. As cartas também podem ser madrastas e a utilização de um display ou algo que contornasse essa sorte ou que a equilibrasse entre todos seria útil. No resto, parece que vamos ter jogo.

5 comentário(s):

Costa disse...

BS é um jogo divertido é com um mecanismo de jogo bem conseguido. Contornar o determinismo das cartas e explorar mais a funcionalidade da corrupção (sobretudo logo no início do jogo) serão talvez os dois pormenores que precisarão ainda de um ou outro retoque. Tudo o resto está bastante bom. Eu gostei muito deste jogo e acho que vai ser um jogo bem recebido pela comunidade.

Bruno Valério disse...

Muito bom... fiquei maluco com os elásticos ás cores... espero que o Mac vá por aí...

Há falta de um jogo com elásticos no mercado :D

Unknown disse...

O jogo é de facto muito bom para um protótipo...

Nada a ver com os primos do Rondel será certamente um dos lançamentos do ano...

Gostei.

soledade disse...

Carlos Abrunhosa disse...

"Além de ficar surpreendido pelo facto de vocês serem meninas do "metier sabidas" (têm preçario?!), gostei muito da ideia central do jogo. Deu-me ideia que somos mais ou menos negociantes da área do imobiliário e isso é bem engraçado como tema de jogo.

Já agora também gostaria de saber o que é isso de Plexiglass, pois tenho uns tabuleiros em pdf que gostaria de montar, e fiquei com a ideia que isso do plexiglass é um material bom para o "acabar"."

Deixaste este comentário num outro post. Mas já está repescado.

O plexigalss é, basicamente, acrílico. É muito útil quando queres jogar com mapas ao invés de tabuleiros. É o que acontece com os jogos da GMT (Twilight Struggle, Conquest of Paradise) em geral e também com este Boomtown Shanghai. Como era só uma folha impressa em A3 aquilo é porreiro porque coloca-se em cima e já não dobra nem tem foles e joga-se muito melhor.

Compras isso num sítio que venda molduras para posters (o meu é do Aki). Retiras tudo o resto e ficas só com o acrílico da frente. Tem de ter um tamanho grande. O maior que encontrares. Aquilo vai para cima de um metro.

Carlos Abrunhosa disse...

Obrigadinho pela dica!

Quanto ao jogo fiquei com a ideia que era possível arranjar um cópia do mapa... ou percebi mal!

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