Às vezes incomoda-me não gostar de um jogo. Não é sempre, é só às vezes. Nem sei sequer explicar porquê mas, fico um bocadinho irritado comigo próprio. Epá, gostava de gostar disto mas, não gosto. Com Caylus é assim. Não gosto e tenho pena.
Quase todas as pessoas que conheço e que jogam boardgames, claro, gostam de Caylus. Admito que o problema possa ser meu, e não é o único que eu tenho, é verdade, mas, ainda assim, e a bem da minha defesa, vou tentar explicar porque é que eu não gosto do jogo.
Acho também que Caylus está rodeado de alguns mitos urbanos, ligados à luderia especializada, que toldam a visão objectiva de um jogo que, no fundo no fundo, não passa de mediano.
Já se percebeu que este não vai ser um texto pacífico mas, ainda assim, vou arriscar a polémica para não perder a oportunidade de fazer justiça!
Mito # 1 - Estética
Eu próprio achei/acho que Caylus, esteticamente, é muito bem conseguido. Lembro-me que, quando pela primeira vez o joguei, achava o jogo mais bonito que alguma vez havia visto. Não fora algumas novidades posteriores e algumas mudanças de critério e, ainda hoje, o acharia o Brad Pitt dos boardgames. O problema é o enquadramento daquilo que está à vista com aquilo que deve ser o jogo.
Estamos a falar de uma vila medieval francesa que, a custo, lá vai tendo o seu castelo construído. Para além de construir o castelo o pessoal vai fazendo uns favores ao rei. Não, não são sevícias. São antes umas coisas mais ou menos esquisitas, tipo oferendas, que os súbditos vão trocando por favores. Ou favores de licenças para construção, ou de aumento de rendimentos, ou de pontos vitória, enfim, um conjunto de favores que podem/devem ser aproveitados por forma a conseguir ser o melhor e mais completo servidor do reino de Caylus (França).
Para um ambiente medieval, devo dizer que estamos mais ou menos bem enquadrados. Mas não no desenho. Ou seja, se o tema está relativamente bem explorado no jogo, já as ilustrações me parecem demasiado rechonchudas e coloridas para serem medievais. Eu não sou crítico de arte mas sou jogador de boardgames. Acho que, sendo nós os tipos que ainda vivem numa aldeia/vila medieval que está a construir um castelo e que procuram os favores do rei, não estaremos num estado tal de evolução que tenhamos um aspecto assim tão lavadinho e confortável. Quentinhos.
Acho que as ilustrações deveriam ser mais espartanas, mais pasteis e menos plásticas e confortáveis.
Por muito que eu jogue aquele jogo lindo, não me imagino no mundo medieval.
Mito #2 - Interacção
No início era o verbo. Palavra de ordem - interagir. O pessoal agarrava-se a um jogo e, pumba. Este tem muita interacção. É muito completo, tem isto e aquilo e dá para fazer não sei o quê e tem mesmo muita "interacção". Pois, meus amigos, eu não acho nada disso.
Caylus é um jogo sem interacção. Claro que a contra-argumentação óbvia será dizerem já - "então e quando alguém coloca um trabalhador num sítio que outro jogador queria usar, isso não é interacção?!" Pois, isso é interacção. É o equivalente em importância e relevância, no contexto global do jogo, sublinho, no contexto global do jogo, a um jogador de sueca ser canhoto. É uma espécie de interacção fingida, sem importância nehuma para o fechar do jogo e que, mais cedo ou mais tarde, resultará numa coisa ao contrário mas igual. Ou seja, o jogador que agora ocupa uma coisa a seguir vai ocupar a outra e vice-versa. Tem tudo a ver com tempo de jogo. E isso leva-nos ao...
Mito#3 - Decisões
As decisões do Caylus são um conjunto de coisas iguais para fazer em diferentes tempos de jogo (em termos estratégicos) e, em termos tácticos, o mesmo de sempre. Confuso mas eu explico. Estrategicamente, Caylus, tem opções a tomar. Escolher este ou aquele favor do rei, construir, ou não, este ou aquele edifício, enfim, coisas iguais para todos, usáveis em diferentes tempos de jogo, conforme a estratégia a tomar. Tacticamente, falamos da tal interacção anterior em que, se um jogador agora escolhe isto o outro escolhe aquilo e depois, é só fazer igual mas ao contrário. E depois, vem a carga minimalista desta opções tácticas. Estamos demasiado tempo (3/4 horas) a fazer sempre as mesmas coisas. Quando alguém constroi alguma coisa é uma festa, no resto, agora ponho aqui o trabalhador agora ponho acolá - 'been there done that.
Mito #4 - Mecânicas
Depois vem a parte mais detestável do jogo. As duas personagens brancas, um mais anafado que o outro, o Bailiff e o Provost. Não gosto da função que eles ocupam no jogo. Percebo o mecanismo que eles representam, sei que acrescentam algo ao jogo em termos de, os mais puristas chamar-lhe-ão, interacção, eu não chamo, mas é um falso aliado à mecânica. Quando alguém é prejudicado pela acção (ou falta dela) do fiscal, a coisa pode ficar, irremediavelmente, feia. Um jogador pode ser afastado da vitória por perder um turno por culpa de um outro jogador ou de um conjunto de jogadores. E isto é backstabing num jogo em que se acumulam recursos para construir coisas e favores para o rei. Até pode ser algo temático mas, ainda assim, os resultados de uma perda da acção de uma casa são demasiado violentos para um jogo que não deixa opção para ripostar ou contrariar. É um péssimo mecanismo.
Por alturas em que Caylus era o número dois do BGG ninguém tinha tanto interesse em experimentá-lo quanto eu. Quando vi o que estava lá dentro fiquei ainda mais curioso. Quando experimentei o jogo achei-o algo lento mas gostei. Quando repeti o jogo achei-o algo lento e não gostei. Quando voltei a repetir o jogo achei-o enfadonho, lento, obtuso, sem significado mas bonito. Eu gostava de gostar de jogar Caylus. Juro.
Mito #2 - Interacção
No início era o verbo. Palavra de ordem - interagir. O pessoal agarrava-se a um jogo e, pumba. Este tem muita interacção. É muito completo, tem isto e aquilo e dá para fazer não sei o quê e tem mesmo muita "interacção". Pois, meus amigos, eu não acho nada disso.
Caylus é um jogo sem interacção. Claro que a contra-argumentação óbvia será dizerem já - "então e quando alguém coloca um trabalhador num sítio que outro jogador queria usar, isso não é interacção?!" Pois, isso é interacção. É o equivalente em importância e relevância, no contexto global do jogo, sublinho, no contexto global do jogo, a um jogador de sueca ser canhoto. É uma espécie de interacção fingida, sem importância nehuma para o fechar do jogo e que, mais cedo ou mais tarde, resultará numa coisa ao contrário mas igual. Ou seja, o jogador que agora ocupa uma coisa a seguir vai ocupar a outra e vice-versa. Tem tudo a ver com tempo de jogo. E isso leva-nos ao...
Mito#3 - Decisões
As decisões do Caylus são um conjunto de coisas iguais para fazer em diferentes tempos de jogo (em termos estratégicos) e, em termos tácticos, o mesmo de sempre. Confuso mas eu explico. Estrategicamente, Caylus, tem opções a tomar. Escolher este ou aquele favor do rei, construir, ou não, este ou aquele edifício, enfim, coisas iguais para todos, usáveis em diferentes tempos de jogo, conforme a estratégia a tomar. Tacticamente, falamos da tal interacção anterior em que, se um jogador agora escolhe isto o outro escolhe aquilo e depois, é só fazer igual mas ao contrário. E depois, vem a carga minimalista desta opções tácticas. Estamos demasiado tempo (3/4 horas) a fazer sempre as mesmas coisas. Quando alguém constroi alguma coisa é uma festa, no resto, agora ponho aqui o trabalhador agora ponho acolá - 'been there done that.
Mito #4 - Mecânicas
Depois vem a parte mais detestável do jogo. As duas personagens brancas, um mais anafado que o outro, o Bailiff e o Provost. Não gosto da função que eles ocupam no jogo. Percebo o mecanismo que eles representam, sei que acrescentam algo ao jogo em termos de, os mais puristas chamar-lhe-ão, interacção, eu não chamo, mas é um falso aliado à mecânica. Quando alguém é prejudicado pela acção (ou falta dela) do fiscal, a coisa pode ficar, irremediavelmente, feia. Um jogador pode ser afastado da vitória por perder um turno por culpa de um outro jogador ou de um conjunto de jogadores. E isto é backstabing num jogo em que se acumulam recursos para construir coisas e favores para o rei. Até pode ser algo temático mas, ainda assim, os resultados de uma perda da acção de uma casa são demasiado violentos para um jogo que não deixa opção para ripostar ou contrariar. É um péssimo mecanismo.
Por alturas em que Caylus era o número dois do BGG ninguém tinha tanto interesse em experimentá-lo quanto eu. Quando vi o que estava lá dentro fiquei ainda mais curioso. Quando experimentei o jogo achei-o algo lento mas gostei. Quando repeti o jogo achei-o algo lento e não gostei. Quando voltei a repetir o jogo achei-o enfadonho, lento, obtuso, sem significado mas bonito. Eu gostava de gostar de jogar Caylus. Juro.



28 comentário(s):
Partilho um pouco da tua opinião. Acho que o jogo tende para o repetitivo. Mesmo assim eu ainda gosto do jogo. Não o acho uma maravilha, mas tem a sua piada. Claro que pelo tempo que demora, existem opções a ter em conta, o que só o prejudica, mas gostava de o voltar a jogar um dia destes ;)
Experimentámos o Magna Carta este fim de semana. É melhor. Serve perfeitamente para matar saudades do Caylus. Não tem a mesma profundidade estratégica do jogo mão mas é muito idêntico e, para mim só tem a ganhar, quer em termos de tempo quer também em termos de outras coisas que existem no Caylus e que eu não suporto ou, pelo menos, acho que poderiam nem existir. eg. escolha da ordem de turno, escolha de favores do rei (todos dão VP's), ausência do provost (isso nem se nota porque ele já não servia para nada) enfim, melhora - Caylus 6 Magna Carta 7.
Não te consigo fazer gostar de CAYLUS, isso já eu sei. Mas ainda assim, tentarei sempre...
CAYLUS é tão repetitivo como todos os outros jogos que jogamos aos fins-de-semana. Tem turnos e em cada turno fazemos determinadas operações. Mas ao contrário de muitos jogos que já experimentámos, CAYLUS não tem muito downtime porque estamos sempre a planear a próxima jogada.
CAYLUS é um jogo interactivo, não faças disso um ponto de interrogação. Cada acção que um jogador toma afecta os outros jogadores e o decorrer do jogo. Todo o jogo é feito da interacção entre os jogadores. A estratégia que escolhemos determina e é determinada pela estratégia dos outros.
Já o tema, pode não ser um dos pontos mais fortes do jogo, até aí concordo contigo. Mas é seguramente um jogo bonito e bem produzido, à imagem da Ystari.
As mecânicas. Nem sei bem como te dizer, mas o jogo é podre de bom. Existe um objectivo bem definido: ganhar pontos de vitória. E existem várias maneiras de os ganhar. Cabe a cada jogador saber reagir às jogadas dos seus adversários, aproveitando as oportunidades que vão surgindo, para ganhar vantagem. A recolha de recursos e a respectiva boa gestão destes é fundamental. Com base nisto monta-se a estratégia adequada. Quer se aposta na construção de edifícios, quer se aposte na construção do castelo, cada jogador terá de estar preparado para reagir tacticamente ao jogo e esse é para mim uma das belezas do jogo.
Admito que o jogo possa estar sobre-valorizado, mas meu amigo, não será nunca na vida um jogo mediano.
Mas como dizia o outro: "Não concordo contigo mas defenderei até à morte o direito que tens de o dizer".
________
Em relação à versão MAGNA CARTA, devo dizer que gostei bastante. É mais rápido, mas não foge muito ao CAYLUS original. É bastante bom.
Também não gosto. Aliás, nunca gostei... e já lhe dei 3... três oportunidades... tanto jogo que foi queimado à primeira vez que foi à mesa... se calhar bem melhores...
E porquê:
Bora acumular cubos coloridos de cores aleatórias e no fim escolhe-se o que fazer com eles... o que interessa é ter madeira... depois, daí a 3-4 horas vê-se quem ganhou... hum... foi o que tinha mais madeira... curioso... original... BORING !
Não estando aqui a defender nenhuma das "damas". Costa, explica-me como é que, e agora vou usar 2 frases tuas:
- "CAYLUS não tem muito downtime porque estamos sempre a planear a próxima jogada."
- "Cada acção que um jogador toma afecta os outros jogadores e o decorrer do jogo. Todo o jogo é feito da interacção entre os jogadores. A estratégia que escolhemos determina e é determinada pela estratégia dos outros."
Só quero que me expliques como é que estas 2 frases se conseguem aplicar ao mesmo jogo e mesmo assim continuar a fazer sentido?
Try me.
... e Costa, sê brando, eu já não jogo há 2 semanas. Posso estar enferrujado e ter esquecido alguns conceitos básicos :P
Eu não consigo é preceber como vocês demoram 3 a 4 horas a fazer um jogo de caylus. Nunca joguei nenhum que demorasse mais de 2h00 a 2h30. E acreditem, já tenho para cima de 20 jogos feitos. Humm, acho que vocês andam a jogar die macher e não se aperceberam ainda. ;) ou se calhar as minhas regras são diferentes das vossas. ehehe.
@costa
As mecânicas do Caylus são até muito básicas. Nada de podres de boas, como tu dizes - desculpa discordar. Uma coisa é achares as estratégias podres de boas agora, as mecânicas são, por ordem de turno, colocar pisso, colocar pisso, construir edifício, colocar pisso, construir edifício... A única coisa diferente e que não é nada podre de boa, são os temporizadores/fiscais Bailiff e Provost. Sobre eles já falei.
Nota importante: ter mecânicas básicas não é uma coisa má. Nem todos os jogos têm de ter o rondel ou a torre ou uma tabela de DRM.
Mas Costa eu, como disse no texto, adorava gostar de Caylus. O problema é que acho-o um jogo mediano. Tirando o tempo de jogo. Aí, o jogo não é nada mediano!
@newrev
Epá. Nunca joguei um Caylus que demorasse só 2 horas ou mesmo 2,5. Não estamos a falar do mesmo jogo, de certeza. Aliás, ainda sábado fizemos uma partida de Caylus Magna Carta, que é um Caylus simplificado, e durou duas horas até nos irmos embora sem o acabar! Ou seja, tínhamos ali jogo para mais 45min de certeza absoluta.
Um dos grandes problemas de Caylus para mim é, precisamente, o tempo de jogo. Se fizeres isso em duas horas (máximo) é um jogo bom, se não, paciência, escolho outros. :P
Eu gosto imenso do Caylus. Acho-o muito bem pensado e muito bem polido. Não gosto contudo do sistema de favores. A ideia dos favores é boa mas parece-me muito rebuscada na forma como é apresentada no Caylus. Não me convence a história da track estar condicionada à fase em que o jogo se encontra. Por outro lado também é um bocado difícil de explicar aos novatos. Mas nada que belisque o produto final.
Seja como for compreendo que o jogo possa ser um bocado aborrecido. É um jogo que necessita de ser pensado e por isso o silêncio na partida é um elemento bastante presente. Isso pode chocar com os jogadores que gostem de estar divertidos no regabofe. Eu também acuso isso. Joguei um jogo a 3 e durante 3 horas ninguém abriu o pio. Isso aconteceu num encontro e imaginem eu e os outros dois caladinhos e na mesa ao lado tudo aos saltos a rir e a mandar piadas num jogo de RA.
Apesar de haver quem deteste jogar Caylus a 5, eu gostei muito da experiência. É menos controlado, é sim senhor, mas há mais interacção social e acaba por ser bastante mais divertido. Dura é umas 4 horas.
Seja como for, tenho o Pilares da Terra e pareceu-me um jogo bastante interessante para quem ache o Caylus molengão e pesado.
@hugo
Acho que é isso tudo. O Pillars of the Earth é muito semelhante ao Caylus, algo mais leve, mas com uma componente que eu aprecio mais - a mudança das cartas no decorrer do jogo.
Ou seja, ao invés dos favores vamos tendo o nosso display conforme a nossa estratégia e depois, temos ainda as cartas que vão mudando no decorrer do jogo. No Caylus, ao contrário disto, os sítios para onde queremos ir estão estáticos durante o jogo todo, tornando-o mais cristalizado e, portanto, mais enfadonho. No Pillars, com o qual eu fiquei muito renitente quando me apercebi das semelhanças ao Caylus, a jogabilidade é muito mais polida (para usar a tua expressão) e a interacção é também mais eficaz. Para além disso demora um bocado menos de tempo. A única desvantagem deste em relação a Caylus será a rejogabilidade.
@Carlos
Percebo onde queres chegar, mas apesar da aparente contradição, julgo que percebeste aquilo que quis dizer. É que na realidade os jogadores estão sempre a pensar no jogo e naquilo que querem fazer, mesmo que isso dependa das acções dos outros. A meu ver, CAYLUS tem muito pouco downtime, ou nenhum.
@Paulo
Talvez a expressão "podre de boa" tenha sido exarcebada, mas ainda assim não desprovida de intenção imperativa. Na minha modesta opinião, o conjunto de todos os mecanismos que formam a estrutura orgânica deste jogo são muito muito bons. A forma como os jogadores se vão relacionando e interagindo, a forma como vão alternando na vez de jogar, a forma como se institui a mudança de "capítulo", a forma que se definem as activações das casas, o mecanismo que determina o fim do jogo, tudo isto para mim funciona muito bem. Quase que como um pequeno bailado em cima de um tabuleiro.
Obviamente podem todos discordar de mim.
Acho que percebi o que quiseste dizer. Apesar dessa "gayolice" do 'bailado em cima do tabuleiro!'
Na verdade chegamos mais ou menos à mesma conclusão. O jogo é aquilo que eu disse, os gostos é que são diferentes. E ainda ninguém me ensinou a jogar aquela coisa em duas horas! Viva o Pillars of the Earth! :P
@Soledade
Pena que nao nos encontramos em Amsterdao, mas nao perdeste nada por nao visitar as lojas de jogos de la. Muito fraquinhas. Comprei so 2 jogos, e muito em funcao do preco (desculpem-me a falta de acentos, mas estou a apanhar deste teclado ingles). Foram o Schotten Totten e o Zombies.
Mas sobre a sua critica do Caylus, concordo em genero, numero e grau! Falta alguma coisa que o torne mais fluido e emnos repetitivo.
abracos!
no outro dia joguei mais um caylus a 3, 2 horas de jogo.
Pergunta sobre as vossas regras de jogo;
Em cada turno, o primeiro jogador a construir ou o que mais construiu no palácio recebe favores do rei, certo?
Se vocês não jogam assim o jogo demora mais tempo.
temos de marcar uma partida para eu perceber como vocês demoram tanto tempo. ehehe. Já sei, AP com fartura... claro, como não pensei nisso antes.
@brainstorm, estou a ficar fan do liberté. Para quando o próximo jogo? E prometo que vou tentar jogar sem CR e sem piza na mão. :)
Paulo,
Joguei o Caylus pela primeira vez à 2 semanas atrás e foi um desencontro: eu e o jogo andávamos à procura um do outro e nunca atinámos. Sinceramente estava à espera de mais efeito e menos trabalho.
Como diria a Mary Weisbeck (SodakLady) parece trabalho. é tanta coisa "boring" para fazer que chega à ultima fase e já nem me lembro do que fiz antes e qual é o meu objectivo.
E é pena, pois tal como tu, eu tambeem queria gostar do Caylus.
Abraços.
P.S.: Joguei hoje Friedrich e aconselho vivamente!
@newrev
Nós jogamos tudo bem. O jogo demora mesmo muito tempo. E não há AP porque também não puxa para isso. Basicamente é escolher um sítio onde pôr trabalhador. Se não der aqui dá acolá. Quanto tempo é que isto pode demorar? O problema é que o gordito rechonchudo do Provost/Bailiff não anda!
@hmocc
Então não sou só eu que tenho isso com o Caylus. Ufa!
Eu também gosto do Friedrich. É um bom jogo de guerra. O problema para mim é que eu não sou grande fã de jogos de guerra mas, dentro do género, gostei muito do Friedrich. E o facto de ser com cartas e não dados ajuda-me a gostar.
@soledade
Ele anda todos os turnos e se o balif estiver à frente do gordinho, este anda 2 casas. Isso faz com que o jogo se torne muito rápido e pode durar apenas 9 ou 10 turnos.
Temos que combinar uma partida.
@newrev... Nós sabemos as regras do jogo :P
E por muito que tentes acho que não convences o Paulo a jogar ;)
Eu não podia discordar mais desta review.
Acho o Caylus um grande jogo, com um grau de complexidade acima da média (e não estou a falar das regras).
Para além das coisas óbvias (ganhar recursos e depois transformá-los em pontos), há um complexo jogo de timings para gerir (e nesse jogo a movimentação do provost é determinante) e imensas opções tácticas disponíveis em cada ronda. Também não concordo com as observações em relação à movimentação do provost para "lixar" alguém. Contrariamente ao que diz o reviewer, acho que é algo que se pode manipular bem, não só através da utilização do edificio que permite movê-lo gratuitamente, como através do próprio posicionamento dos workers.
No Caylus, quase tudo está interligado e cada jogada que se faz tem consequências em mais do que um plano. Há estratégias de longo prazo a definir (não só através dos favors, mas também através dos próprios edifícios que se constroem) e uma riqueza táctica bastante grande, graças ao mecanismo de colocação dos workers, à manipulação do provost e da escala de passagem.
Agora, tudo isto tem um preço. Toda esta complexidade, conjugada com a informação perfeita e a ausência de aleatoriedade (exceptuando o setup inicial), fazem do caylus um jogo pouco temático e muito seco. Para além disso é muito difícil de dominar (eu já joguei bastantes vezes e mesmo assim ainda levo coças regularmente no BSW).
Para além disso, não é, obviamente, um jogo de galhofa, ou de festança em volta da mesa. É um jogo cerebral, que recompensa a atenção, o planeamento e a concentração, mas isso, para mim pessoalmente, não é um defeito (o contrário também não é, atenção).
Mas é daqueles pouco jogos que me vejo a jogar - e a aprender - a vida toda. Ainda no outro dia levei uma coça, num jogo a 4, contra um gajo que usou uma estratégia que eu nunca tinha visto, nem sabia que era possível de executar.
@zorg
Não me parece que discordes assim tanto da review. Quando muito achas o jogo melhor que eu por ser assim como eu disse. Ou então fui eu que não percebi o que querias dizer...
Eu sei para que é que serve o Provost, só que acho-o um mau mecanismo. E também sei que tem/precisa de ser controlado.
Há uma infinidade de tácticas turno após turno, é verdade. Sobretudo depois de haver no tabuleiro mais que 7 tiles. O problema é que, se não fôr feito agora é depois e vai dar ao mesmo (não literalmente). Ou seja, demasiado tempo a repetir acções.
Agora, concordo com uma coisa que disseste. Caylus pode levar uma vida a aprender. Tem muitas tácticas e estratégias (menos) possíveis. Não me querendo repetir muito...O problema é que eu não acho essas tácticas "de facto interessantes" para jogar durante tanto tempo. O mais importante acaba por ser o factor tempo de jogo/diversão e, aí, Caylus é mau.
#soledade
Se calhar não me expliquei bem. :)
Eu só não discordo da review quando dizes que o Caylus é um jogo bonito.
De resto discordo de tudo.
Por exemplo, tu dizes que o jogo não tem interacção e eu acho exactamente o oposto, ou seja, que no Caylus tu podes afectar muito directamente os outros jogadores, de várias formas (o provost, a ocupação dos edifícios, a escolha dos edifícios, a antecipação/atraso dos timings de entrada nas várias fases e a entrada no castelo).
Também não concordo, de todo, que as decisões sejam pouco relevantes, ou repetitivas, ou que não seja importante a altura em que são tomadas, como tu defendes na tua review. Aliás, neste ponto não podia estar mais em desacordo: uma das razões que me fazem gostar muito do Caylus é precisamente o facto de haver muitas consequências , às vezes dramáticas, dependentes de cada decisão que os jogadores tomam. Não é irrelevante o que cada um faz em cada jogada, nem muito menos é igual fazer uma coisa agora ou mais tarde. Pelo contrário, o timing é das coisas mais importantes no Caylus e é aí que se ganha ou perdem os jogos. Aliás, é por isso que é permitido aos jogadores controlarem o timing através da utilização do provost para acelerar ou atrasar o bailiff. Aliás - e isto remete-nos para o outro ponto da tua review de que discordo - esta influência que o provost tem no bailiff é, na minha opinião, uma função que ele tem mais importante de que o mero lixar de um gajo que arriscou demais no posicionamento de um worker.
Como podes ver, discordo mesmo em quase tudo. :)
@zorg
Ok. Agora percebi que discordas. Ficamos empatados. :)
Acho que "lemos" as coisas que o jogo tem para oferecer de forma diferente. Por isso é que os gostos são o que são. E não é que não estejamos ambos a falar de factos. Não é só teimosia.
O facto é que, colocar trabalhadores, por exemplo, parece ser, para ti, uma tarefa árdua, importante e definitivamente "manipuladora" do jogo dos adversários. Para mim não. É só um tique repetitivo, intuitivo e básico de uma mecânica que o jogo me obriga a fazer.
E isto, tanto o que tu defendes como o que eu defendo, são factos. Vistos de dois pontos de vista. Sobre isto, acho que concordamos!? :)
Obrigado Zorg. É bom ver mais alguém a defender o CAYLUS.
O Soledad disse:
1 - Para além de construir o castelo o pessoal vai fazendo uns favores ao rei.
2 - se o tema está relativamente bem explorado no jogo, já as ilustrações me parecem demasiado rechonchudas e coloridas para serem medievais
3 - Caylus é um jogo sem interacção
4 - DecisõesAs decisões do Caylus são um conjunto de coisas iguais para fazer em diferentes tempos de jogo
5 - Estamos demasiado tempo (3/4 horas) a fazer sempre as mesmas coisas
6 - o Bailiff e o Provost. Não gosto da função que eles ocupam no jogo. Percebo o mecanismo que eles representam, sei que acrescentam algo ao jogo em termos de, os mais puristas chamar-lhe-ão, interacção, eu não chamo, mas é um falso aliado à mecânica. Quando alguém é prejudicado pela acção (ou falta dela) do fiscal, a coisa pode ficar, irremediavelmente, feia
Ai que dor… esta crítica não é nada bem elaborada…
1 – O pessoal NÃO vai fazendo uns favores ao rei, mas é o rei que concede favores ao pessoal, ao mais trabalhador para ser preciso. O rei vê qual é o construtor que se dedica mais à construção do castelo e recompensa-o.
2 – Demasiado rechonchudas e coloridas para serem medievais??? És uma vítima da banalização de conceitos errados… embora gostemos de apelidar a idade média de idade das trevas, nem tudo eram trevas, e o verde dos relvados era tão verde na altura como é a gora, os Outonos provavelmente ainda mais coloridos e a madeira que apoiava as estruturas edificadas da altura era tão madeira quanto a de hoje (e de melhor qualidade, razão pela qual muitos edifícios se aguentaram tão bem até aos dias de hoje). Aliás, há historiadores especialistas da idade média que afirmam que a idade média é a idade das luzes (muito ao contrário da generalidade que a era pós medieval é que é a idade das luzes por oposição às “trevas” da idade média) … resumindo… podes ir por mim Paulo, as ilustrações estão bastante fidedignas… e quanto ao conforto que referes… a não ser que tenhas entrado para dentro de um desses cartõezinhos não estou a ver a que te referes.
3 – Sem interacção… -_-‘ não sei bem a que te referes quando dizes isso, mas neste jogo há muitas possibilidades de interacção… as regras contêm alias uma frase a encorajá-lo. A interacção não se faz tão só na parte de movimentar a peça branca mais baixa (não sei os nomes deles…), mas também a colocação dos trabalhadores pode ser negociada, especialmente mediante a utilização do arco (o primeiríssimo campo que tão negligenciado é…), e para quem for um jogador atento e analisar bem a situação dos restantes jogadores… bem… as portas estão abertas a tentar explicar as vantagens em aceitar coisas que não estejam a ter em consideração e que te possam favorecer a ti. Uma das coisas boas deste jogo e número de variáveis a ter em conta, são tantas que é fácil perder de vista as opções disponíveis, e aí o jogador atento pode lucrar… interagindo claro está ;)
4 – Pois… bem se vê que só jogaste três vezes… e em nenhuma delas fizeste o esforço de tentar perceber a lógica de efeito – causa, nem tão pouco tentaste perceber de que forma neste jogo se pode derrubar o adversário. Este jogo não é um conjunto de coisas iguais para fazer em tempos diferentes. Isto é um jogo dum conjunto de coisas que têm de ser feitas em função das consequências de jogadas anteriores por um lado, e por outro lado uma série de coisas que têm de ser feitas em função da leitura que tu fazes do jogo dos teus adversários no sentido de lhes colocares obstáculos que te sejam benéficos ao mesmo tempo (isto significa avanço duplo, não só ganhas por atrasar o adversário mas ganhas a dobrar por atrasá-lo e ainda conseguires tirar um outro proveito disso, tipo uma matéria prima de que necessitas). É um pouco como no xadrez, avanças uma peça que não ameaça um outra do adversário, mas ao mesmo tempo protege mais dois ou três campos.
5 – 3 – 4 horas? Hello? Alguém aí sofre de graves disfunções cerebrais (especialmente da parte esquerda), newrev, partilho a tu experiência, 2 – 2.30 é o tempo suficiente para jogar uma partida renhida de Caylus.
6 – A mecânica desses dois badamecos é simples de perceber… são os fiscos… um é corrupto o outro nem por isso. Falso aliado à mecânica? Nem sei o que queres dizer com isso… falso aliado à mecânica… isso soa muito bem dito mas realmente nem significa nada. Que queres dizer com isso? Simplesmente conseguiram acrescentar elementos novos que se contextualizam no tema, um marca o ritmo do jogo o outro compõe um obstáculo (ou vantagem… depende se foste vítima ou subornador). A mim parece-me muito bem, não são certamente o elemento dourado do jogo, mas têm funções específicas e não estão lá à toa.
#nbs# disse:
Bora acumular cubos coloridos de cores aleatórias e no fim escolhe-se o que fazer com eles... o que interessa é ter madeira... depois, daí a 3-4 horas vê-se quem ganhou... hum... foi o que tinha mais madeira... curioso... original... BORING!
Nunca ouvi coisa semelhante… que raio de opinião sem fundamento e sem nexo… “acumular cubos aleatórios”? e no “fim escolhe-se o que fazer com eles”? Os cubos não são certamente aleatórios são em função de uma estratégia que convém já traçar-se durante a primeira ronda, e não é no fim que se escolhe o que se vai fazer com eles… já se tem que saber o que fazer com eles antes de os teres precisamente para saberes o que vais querer “acumular”.
Pessoal. Eu gosto de xadrez, e não jogo mal (não é para me gabar), já joguei com alguns to top 10 seniores nacionais da Finlândia (e ganhei a um deles numa partida de xadrez relâmpago, isto é, em menos de 10 mins) e já fui convidado a jogar na liga regional alemã (actualmente a liga alemã é a mais forte a nível mundial). Isto tudo não para me gabar mas para dizer que gosto muito do xadrez… mesmo, é um jogo em que ambos os jogadores têm exactamente os mesmo recursos, o jogo é transparente, isto é, ambos vêm tudo que o adversário tem, não existem cartas escondidas não mão nem informação escondida. A única coisa que dá a vitória a um jogador é sua capacidade de ler e trabalhar a informação que extrai de cada jogada que é feita durante a partida. E, Soledad, a mecânica de jogo do xadrez é extremamente simples, no entanto é um dos jogos mais complexos alguma vez concebidos. Simplesmente não há melhor que o xadrez. E, opinião minha, o Caylus, no universo dos jogos temáticos, é neste momento o mais próximo que há da ideia do xadrez, o que faz a diferença é o cérebro de cada um… há poucos jogos tão bons.
@Predato
Bom comentário. Defendeste muito bem as tuas posições. És um fã de Caylus, está visto que sim.
Mas a minha crítica não está nada mal elaborada. Podes não concordar com ela, mas não está mal elaborada. É uma boa crítica, em termos estéticos, e está bem escrita. Se queres ser rigoroso tipo "não são favores ao rei são favores DO rei :)" também tens de fazer sentido no que escreves. Deverias ter escrito - "ai que eu não concordo nada com esta crítica!". :)
Em relação à estética do jogo, e não da crítica, devo dizer-te que "sou uma vítima da banalização de conceitos errados", como tu dizes. Sou mesmo. Por isso uso palavras como lavadinho, quentinho e confortável, para definir o aspecto gráfico das ilustrações de um jogo! Acho que estou, de facto, dominado pela hegemonia daqueles que acreditam e defendem a "banalização dos conceitos errados". Para mim, a Idade Média não tem jardins verdes, é uma época fria e de trevas. A partir de agora vou "confiar em ti" como tu pedes, e acredito que a Idade Média não mais vai ser por mim olhada dessa forma desprestigiante e redutora. Vou aceitar as tuas doutas palavras de alguém que, concerteza, se inspirou nesses autores iluminados, e acreditar na Idade Média como época de luz e não de trevas. :)
Interacção distingue-se da mera estimulação de resposta porque envolve significados e expectativas em relação àquilo que se espera que façam as outras pessoas. Xadrez sim, estou contigo. Caylus não. Opiniões diferentes mas, acho que agora já percebes melhor o que eu quero dizer, apesar de não concordares. :)
Se calhar sofremos dessas disfunções cerebrais do lado esquerdo mas, 3/3,5 horas é o normal. "Oh senhores do universo douto de Caylus, venham cá ensinar-nos a usar aquela percentagem de cérebro essencial para o sucesso"! ;)
"Falso aliado à mecânica" - obrigado pelo elogio quando dizes que soa muito bem dito. De facto, soa bem dito. Parece eloquente. Parece até brilhante. Mas não é caso para tanto. Vou tentar trocar isto por miudos. Quer só mesmo dizer que "não ajuda nada à mecânica do jogo" :)
Pedro, a tua história do xadrez fez-me lembrar uma coisa, também. Quando andava no ciclo havia um jogo no qual eu me safava muito bem (não é para me gabar). Era aquele jogo dos berlindes com as três covinhas. Para lançar de uma covinha para a outra podíamos acertar no(s) berlinde(s) do adversário. E o objectivo era afastá-lo da covinha para, com isso, ganhar vantagem. Quanto mais longe eles estivessem da covinha mais difícil se tornaria o jogo deles. Às vezes aparecia lá um ou outro jogador muito bom mesmo. Daqueles que tinham uma grande colecção de berlindes e que passeavam classe pelas covinhas. Um deles até era ciganito. Nós chamavamos-lhe "patentes". Ele era o "patentes" porque tinha inventado um mecanismo que fazia com que o jogo de berlinde das três covinhas tivesse ganho um outro significado. Era o sistema do palmo. Havia alguém que dizia que o palmo já era usado noutros países evoluídos. Tipo USA. Eu não sei. Só sei que o palmo permitia segurar o berlinde na mão, fazer um palmo e, só aí, se lançava. Ou seja, ganhavam-se uns bons centímetros. Acabou-se a pureza do berlinde sem as mecânicas dos palmos. E isso desvirtuava o jogo. Porque ninguém conseguia usar o palmo da mesma maneira, mesmo os que tinham mais pontaria. E por uma razão muito simples, uns tinham mãos maiores que outros e, portanto, levavam vantagem comparativa. Isto tudo só para dizer que, não gosto de falsos aliados às mecânicas dos jogos. :)
#predator
Ponto 1
Tens nick de nome de sapatilhas !
Ponto 2
A isto se chama humor !
Ponto 3
Agora tenta ler o que escrevi...
Ponto 4
Já percebeste o que fazer com a tua opinião...
Pois é... no campeonato mundial de chinquilho da minha aldeia diz-se que "é para meter no... e dar aos..."
Ponto 5
Novamente humor...
Ponto 6
EU NÃO GOSTO NADA DO CAYLUS !
Processa-me!
Ou então respeita a minha opinião de leigo (nunca joguei num campeonato mundial de sueca) que como podes constatar, até é partilhada por outros...
nbs disse
ponto 1 tens nick de nome de sapatilha...
Isso é porque não sabes lêr. E com isto fico-me... o resto já nem vale a pena... se não sabes lêr.
Predator, julgo que não te conheço (pelo menos pelo nick, sei que não) e concordo com tudo o que disseste sobre CAYLUS.
Já a forma sarcástica e quase ofensiva que usaste para defender a tua posição, pareceu-me exagerada e despropositada.
Gosto de pensar que este é um blog democrático, que valoriza e acolhe todas as opiniões. Tal como tu, nós gostamos é de jogos. Por isso é que nasceu o SpielPT. Um blog sobre jogos, não um blog sobre pessoas que gostam de jogos ;)
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